Expansão agrícola no Cerrado maranhense intensifica conflitos por terras e irregularidades

| Créditos: Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


A expansão da fronteira agrícola no Cerrado, especialmente no sul do Maranhão, tem intensificado os conflitos fundiários e a grilagem, afetando diretamente as comunidades e povos tradicionais. Considerados guardiões do bioma por seu modo de vida sustentável, esses moradores relatam intimidações, como ameaças, disparos de armas de fogo e até a pulverização aérea de agrotóxicos próximo às suas casas.

Na região do Vão do Uruçu, próximo a Balsas (MA), mais de 20 famílias de posseiros, que ocupam as terras pacificamente há décadas, estão sob pressão para aceitar a redução de suas áreas para 50 hectares ou serem expulsas. Os moradores suspeitam que a pressão seja movida por grileiros que visam repassar os terrenos para a produção de soja. A advogada Rosane Ibiapino, do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos, afirma que a ocupação prolongada e pacífica garante o direito à posse e usufruto das terras a essas famílias, sob a lei do usucapião.

O Maranhão liderou o ranking nacional de conflitos por terra e água em 2024, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), com 420 ocorrências. Além da violência, o desmatamento associado à monocultura é apontado como responsável pela crise hídrica na região, com o esgotamento de nascentes e cursos d’água, essenciais para a biodiversidade e para as comunidades locais.

Em resposta ao cenário, o governo do Maranhão lançou o Programa Paz no Campo, em 2023, com o foco em regularização fundiária. O Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) destacou a retomada de mais de 150 mil hectares de terras griladas e a entrega de 18 mil títulos de propriedade, reconhecendo que a expansão agropecuária, ao se deparar com posses antigas e matrículas frágeis, acaba por intensificar a quantidade de conflitos no campo.

Fonte: Agência Brasil

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