EUA sugerem ao Brasil criação de grupo de trabalho sobre terras raras

Trabalhadores transportam solo contendo elementos de terras raras para exportação em um porto de Lianyungang, na província de Jiangsu, na China | Créditos: 31/10/2010REUTERS/Stringer


O encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, sugeriu a criação de um grupo de trabalho para discutir possíveis parcerias entre Brasil e Estados Unidos no setor de minerais críticos e estratégicos, com foco nas terras raras. 

A proposta foi apresentada durante reunião entre o diplomata, representantes de mineradoras e o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração). 

A informação foi confirmada pelo Ibram. 

A interlocução para que o governo brasileiro avalie a proposta será conduzida pelo Ibram e pela Embaixada dos EUA. 

Enquanto isso, o Ibram irá discutir, junto às mineradoras associadas, oportunidades de investimento na produção mineral que possam receber eventuais aportes de capital norte-americanos. 

Novos encontros entre representantes dos EUA e da mineração brasileira estão previstos ainda para 2025. 

No início de dezembro, está programado um encontro nos Estados Unidos, promovido pela embaixada brasileira nos EUA em parceria com o Ibram. 

Como noticiado pela CNN, Escobar realizou uma série de reuniões com mineradoras que atuam no país, em busca de possíveis acordos na área de minerais críticos e estratégicos. 

O próprio diplomata confirmou a informação ao CNN Money. 

Os encontros ocorreram na última terça-feira e na manhã desta quarta-feira. 

As conversas ocorrem dias após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. 

Como noticiado pelo CNN Money, um possível acordo para o fornecimento seguro de terras raras aos Estados Unidos é tema central nas negociações comerciais no contexto do “tarifaço” imposto por Washington. 

A articulação ganhou ainda mais força após a China restringir a exportação desses insumos. 

Apesar de o recurso estar relativamente bem distribuído pelo planeta, a China domina quase toda a cadeia de produção— do refino à fabricação de componentes de alto valor agregado. 

Atualmente, cerca de 60% da mineração global ocorre em território chinês. 

O dado mais preocupante, no entanto, está no processamento: 91% de todo o refino mundial é feito por empresas chinesas, que também produzem 94% dos ímãs permanentes usados em turbinas, motores e equipamentos de defesa. 

A IEA (Agência Internacional de Energia) classificou essa concentração como um risco geopolítico severo, alertando que o domínio chinês permite a Pequim influenciar preços, controlar o acesso de países concorrentes e definir o ritmo de avanço de tecnologias estratégicas, como semicondutores, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. 

Para Washington, o tema é especialmente sensível: a supremacia militar e tecnológica dos EUA pode ser ameaçada se a China ampliar o controle sobre insumos essenciais a setores de defesa, inteligência artificial e energia limpa. 

É nesse contexto que o Brasil ganha destaque. 

O país detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas ainda produz e refina quase nada. 

Não há um marco regulatório específico para o setor, e a cadeia produtiva é incipiente. Mesmo assim, empresas ocidentais já começaram a adquirir projetos e realizar pesquisas e mapeamentos geológicos em território nacional. 

Paralelamente, o governo federal criou o Conselho Nacional de Política Mineral, responsável por formular diretrizes para a exploração sustentável e estratégica desses recursos. 

Na Câmara dos Deputados, avança o debate sobre a Política Nacional de Minerais Críticos. 

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