EUA: mulher registra cadela para votar e paga campanha antifraude para evitar prisão

Nome de Maya Jean Yourex consta como votante em referendo de 2021 | Créditos: Reprodução/Facebook/Laura Yourex


Uma mulher de 64 anos que registrou sua cadela para votar em duas eleições na Califórnia, nos Estados Unidos, teve o caso arquivado após admitir o crime e cumprir as condições de um acordo judicial. Como parte da punição, Laura Lee Yourex também precisou desembolsar US$ 1.500 (cerca de R$ 7,6 mil) para financiar quatro outdoors de conscientização contra fraudes eleitorais, que exibem a fotografia do próprio animal.

O caso veio à tona em outubro de 2024, quando o escritório eleitoral do condado de Orange comunicou às autoridades que a própria mulher havia relatado ter cadastrado a cadela Maya Jean Yourex como eleitora. Segundo a investigação, ela também enviou cédulas pelo correio em nome do animal nas eleições de 2021 e 2022.

O voto da cadela foi contabilizado no referendo de 2021 sobre a destituição do então governador da Califórnia, Gavin Newsom. Já a cédula enviada nas primárias de 2022 foi contestada e rejeitada pelas autoridades eleitorais.

De acordo com a promotoria do condado de Orange, o cadastro eleitoral exige informações pessoais e uma declaração de cidadania americana, assinada sob pena de perjúrio. Animais, portanto, não têm direito a registro ou participação nas eleições.

A investigação também identificou publicações feitas por Laura nas redes sociais. Em janeiro de 2022, ela compartilhou uma foto de Maya usando um adesivo com a inscrição “Eu votei” e posando ao lado de uma cédula eleitoral. Em outra publicação, de outubro de 2024, a mulher mostrou a identificação da cadela junto a uma cédula enviada pelo correio e escreveu que Maya continuava recebendo seu material de votação, embora o animal já tivesse morrido.

Laura foi acusada por cinco crimes, incluindo falsidade ideológica, apresentação de documentos fraudulentos e votação ilegal. Em abril de 2026, ela se declarou culpada por registrar conscientemente uma pessoa inexistente como eleitora. Com o acordo, as outras quatro acusações foram retiradas, e uma das acusações inicialmente classificadas como crime grave foi reduzida.

Além disso, ela pagou US$ 1.500 para custear quatro outdoors instalados ao longo das rodovias 55 e 22, no condado de Orange. As peças publicitárias permanecerão expostas até as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2026.

Os anúncios trazem a frase “Não seja um cão. Fraude eleitoral é crime. Se você não pode votar legalmente, não vote”, além de um aviso de que a promotoria local processará os responsáveis por irregularidades. A campanha também utiliza a fotografia de Maya publicada anteriormente por Laura e divulga um canal para denúncias de possíveis fraudes eleitorais.

Após o cumprimento das condições previstas no acordo, o caso foi arquivado integralmente no último dia 13, segundo o gabinete do promotor do condado de Orange.

Compartilhe: