Entre a folia e a fé jovem encontra novo sentido para o Carnaval em retiro espiritual
- porRedação
- 16 de Fevereiro / 2026
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Folia, glitter e barulho costumam marcar o Carnaval brasileiro. Para muitos, é tempo de festa e celebração nas ruas. Para outros, porém, o feriado representa uma oportunidade de oração, silêncio e conexão espiritual.
É o caso de Mariana Presotto, de 20 anos, que participou pela primeira vez de um retiro espiritual no Carnaval do ano passado e decidiu transformar a experiência em tradição. Católica da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, ela conta que foi incentivada pela irmã, Gabriela, que já havia participado de um acampamento da igreja meses antes.
“Ela quis me levar para o movimento, me inscreveu escondido porque, a princípio, eu não queria ir, mas não me arrependi em momento nenhum dessa decisão”, relembra. Segundo Mariana, a expectativa era viver algo tocante e diferente, mas a experiência superou o que imaginava. “Eu esperava algo que me reaproximasse da minha fé, mas foi muito além disso.”
Além da vivência espiritual, o retiro proporcionou novas amizades e senso de pertencimento. “Eu fiz amizades e hoje me sinto pertencente a um grupo também. São as pessoas que conheci e convivo hoje na igreja”, afirma. Com os chamados “irmãos” — como são conhecidos os integrantes do grupo —, ela compartilhou atividades e encontros ao longo de 2025.
De participante a voluntária
O acampamento juvenil do qual participou só pode ser feito uma vez como inscrito. Ainda assim, Mariana encontrou outra forma de continuar envolvida: passou a atuar como voluntária em retiros realizados durante outros feriados do ano.
“Depois que fiz o meu, eu passei a servir neles como uma forma de retribuir o que um dia foi me dado pelo serviço dessas pessoas”, explica. Segundo ela, o trabalho começa muito antes do evento. “Demanda muito planejamento, organização. Já tem pessoas parando suas vidas para organizar o acampamento para outras.”
Para Mariana, servir se tornou uma forma de gratidão. “É pagar um pouco do trabalho que fizeram um dia por mim”, diz. Ela define a dinâmica como uma “corrente do bem”, que se renova a cada edição.
Novo significado para o feriado
Apesar de já ter participado de festas carnavalescas, Mariana afirma que não compara as experiências. “É divertido, claro, mas não se compara a estar lá. Acontece só uma vez no ano. Não custa deixar de viver o que acontece corriqueiramente para viver algo diferente.”
Com o tempo, o Carnaval ganhou outro significado. “Passou a ser um momento de conexão com a minha fé”, resume. Ainda jovem, ela afirma não sentir que perde algo por não estar nos bloquinhos. “Não me sinto perdendo nada, mas também não me sinto melhor por isso.”
Para ela, a escolha é individual. “Cada um tem que fazer o que significa para si. Para mim, significa muito estar lá dentro. Me faz bem, e eu sei que também faz bem para outras pessoas. O Carnaval passou a ser uma troca.”
Laços que permanecem
Ao servir sempre na mesma paróquia, Mariana fortaleceu vínculos e construiu um grupo de amizades. Embora exista a possibilidade de atuar em outras comunidades, a permanência no mesmo local ajuda a manter as conexões criadas durante o retiro.
Além da Igreja Católica, outras denominações cristãs e religiões, como a evangélica e a budista, também promovem retiros espirituais durante o Carnaval. Assim, paralelamente à folia, o mês de fevereiro se consolida também como um período de integração e renovação da fé para milhares de brasileiros.






