“E agora, Sidrolândia, quem poderá te salvar?”
- porAlcina Reis
- 18 de Novembro / 2025
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| Créditos: Reprodução/SuperBairro
Ela não é uma política qualquer. Ocupa um dos cargos mais altos da cidade — aquele em que se espera equilíbrio, responsabilidade e postura irrepreensível. Mas, em vez disso, o que se viu foi uma vice-chefe do executivo detida por porte de maconha. Uma cena que dispensa exageros: não é meme, não é brincadeira, não é fake news. É a realidade nua e crua de uma política que deveria ser exemplo e entrega, em troca, constrangimento público.
E Sidrolândia, que já vem de uma sequência de escândalos herdados de mandatos anteriores, amanheceu mais uma vez com o peso da descrença. Quando muitos acreditavam que nada mais poderia abalar a cidade, o dia começa com não só a vice-prefeita, mas também o diretor do hospital sendo presos sob suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de R$ 5,4 milhões destinados à saúde. Verba que deveria salvar vidas — não alimentar irregularidades.
Em meio a essa sucessão de absurdos, surge a pergunta inevitável: como alguém que exige ser tratada como autoridade pode defender políticas antidrogas se é flagrada com entorpecentes? Como sustentar coerência, moral, responsabilidade? Como liderar projetos de segurança, saúde ou integridade se a própria conduta desmonta qualquer discurso?
Mais preocupante ainda é o eco desse episódio: não é caso isolado. A população, cansada e desgastada, percebe que a política local parece mergulhada num ciclo de incoerências e contradições. E aí vem a reflexão necessária — talvez a mais dura de todas: os cidadãos sidrolandenses precisam se benzer e, acima de tudo, serem muito mais críticos na hora de escolher em quem votar. Já passou da hora de romper com a lógica do “deixa assim”, “sempre foi assim”, ou “pelo menos faz alguma coisa”. Esse pensamento tem custado caro — muito caro.
Porque, no fim, o poder não é brincadeira, tampouco vitrine para atos irresponsáveis. A política exige coerência, integridade e respeito ao cargo, à cidade e às pessoas que confiaram seus votos. Quando uma autoridade cai em contradição, toda a estrutura vacila junto. Em minha visão, diante de tamanha quebra de confiança, cabe ao Ministério Público analisar seriamente se esse mandato é compatível com o mínimo de decoro público.
Responsabilidade não é luxo. É pré-requisito. E Sidrolândia merece mais do que escândalos: merece líderes dignos do povo que representam.






