“E agora, quem é o cara?”


A política de Mato Grosso do Sul, sempre rica em reviravoltas dignas de um roteiro premiado, acaba de ganhar um novo capítulo com ares de comédia de erros e tragédia grega. O epicentro da confusão é o Partido Liberal (PL), onde a chegada turbulenta do Capitão Contar colocou em xeque a liderança e a tranquilidade do presidente estadual, o ex-governador Reinaldo Azambuja. Na disputa por uma vaga no Senado, o que antes parecia um caminho asfaltado para Reinaldo transformou-se numa batalha fratricida interna. O movimento de Contar, que ignorou a hierarquia local para selar sua filiação diretamente com Valdemar da Costa Neto em Brasília, não é apenas um choque de agendas, é um verdadeiro golpe de astúcia que expôs as fissuras na fachada do conservadorismo sul-mato-grossense. O jogo mudou. A questão não é mais "quem vai pro Senado", mas sim: "E agora quem é o verdadeiro cara, o rosto, o dono da voz conservadora no estado?" O duelo está armado.


A Queda do Castelo de Cartas (Ou Seria de Votos?)

O ex-governador Reinaldo Azambuja, o homem que fez a "conversão" rápida do tucanato para o bolsonarismo e assumiu o trono do PL no estado, deve ter tido um calafrio na espinha. Ele, que já devia estar contando os votos para o Senado com a certeza de quem cumpre uma obrigação divina, viu o "menino Capitão" atravessar a porta da frente — não a porta que Reinaldo achava que era a principal, mas a que dava acesso direto ao QG em Brasília.

Não subestimem o Capitão. A oposição já contava com uma vaga no Senado carimbada para Reinaldo, numa cortesia política que agora ruiu. O cenário está "embaralhado," um eufemismo lindo para: "o castelo de cartas desmoronou." Contar sempre teve votações expressivas em MS e, quando se trata de política conservadora, a base muitas vezes prefere o "raiz" ao "adaptado".

A Fofoca de Ouro: Quem Leva o Cetro Conservador?

A fofoca que corre frouxa nos corredores do poder é o tempero definitivo dessa confusão. Quem, afinal, será a cara e o candidato favorito do partido conservador em Mato Grosso do Sul?

O Mago da Conversão: Reinaldo Azambuja, o ex-tucano, entrou pela porta da frente levado pelas mãos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Vixeee... Acontece que o padrinho político, agora preso e com severas restrições de opinião, perdeu parte do seu poder de endosso. O status de "escolhido" é ótimo, até que o escolhedor não pode mais falar alto.

O Capitão Raiz: Ou será que o título de "O Cara" vai para o Capitão Conservador Raiz, que selou sua entrada diretamente com o presidente nacional Valdemar da Costa Neto em Brasília? Sem intermediários, sem fiador em apuros. Contar simplesmente bateu na porta do dono da franquia e pegou a chave. A diferença é sutil, mas letal: um tem a bênção do ausente; o outro, a chancela do presente.

No fim das contas, o que resta é a dúvida requintada, que nos faz prender a respiração para ver quem, no ninho do PL, será o gavião e quem será o pato.

E agora, quem é o cara?

A única certeza, neste delicioso impasse político, é que somente o tempo nos esclarecerá. Contudo, o Capitão precisa colocar as barbas de molho! Afinal, querendo ou não, sua legenda para a disputa depende da caneta de Azambuja, que de bobo não tem nem o jeito de andar. Enquanto isso, a gente se senta, pega a pipoca e assiste à comédia de erros e acertos do nosso xadrez estadual. Que o duelo continue, e que vença o melhor na arte de não subestimar o Capitão!

Por Alcina Reis

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