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Quem diria que o "mito", aquele que galvanizou multidões com bandeiras e hinos, acabaria assim: no banco dos réus do Supremo, acusado de tentar quebrar a própria República que jurou liderar. E a ironia mais amarga: seus próprios filhos tiveram papel fundamental nessa queda.
O julgamento que decide o futuro de Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos transcende as fronteiras nacionais. Tornou-se um palco de tensão geopolítica, com um espectro pairando sobre os ministros: o de Donald Trump. O presidente americano, ele próprio um sobrevivente de acusações por tentativa de subverter uma eleição, transformou-se no grande algoz externo em defesa do seu par brasileiro.
De declarações furiosas nas redes sociais a tarifas comerciais punitivas e sanções diretas a ministros do STF, a máquina de estado americana foi movida como um rolo compressor durante sua gestão. A justificativa? Uma suposta "caça às bruxas" contra Bolsonaro, espelho da que ele alega sofrer. Especialistas veem nisso menos uma política de Estado e mais um capricho pessoal, uma "política externa de república das bananas" movida por desinformação e arrogância.
E se fosse ao contrário? Imaginem o cenário inverso: um político americano, sob investigação, manda seu filho para o Brasil. Lá, o herdeiro se encontra publicamente com autoridades brasileiras para pedir sanções contra juízes da Suprema Corte dos EUA, pressionando por anistia e classificando as instituições americanas como uma "gestapo". Como Trump, que defende ferrenhamente a soberania dos EUA acima de tudo, reagiria a essa intromissão estrangeira? Provavelmente, não seria com tarifas, mas com uma retórica incendiária de guerra.
O plano bolsonarista de buscar um salvador estrangeiro, articulado febrilmente pelo filho Eduardo nos corredores do poder em Washington, saiu pela culatra. Em vez de salvar o pai, a interferência grosseira trouxe à tona áudios constrangedores que expuseram a trama: a ameaça velada de que as tarifas só cairiam se o STF aprovasse uma anistia. A manobra, longe de comover, revoltou a opinião pública e fortaleceu a percepção de que o ex-presidente colocou sua sobrevivência política acima dos interesses do país.
Agora, a sombra do julgamento é longa. Uma condenação parece provável, e com ela, a promessa de mais retaliações de uma possível futura administração trumpista. O Brasil, paradoxalmente, é apontado por alguns como uma democracia mais resiliente que a americana neste momento, suas instituições resistindo a pressões que, em outro tempo, teriam instalado ditaduras.
E assim, o capitão que navegou na onda da indignação nacional se vê à deriva, seu destino atado não só às provas contra ele, mas a uma complexa teia de poder internacional da qual se tornou refém. A incógnita final é se ele será o único a responder perante a lei, ou se o país inteiro pagará o preço por seu julgamento.
Mas, em todo este triste espetáculo, há quem de fato merecesse uma cela: o mimado e mal-educado que nem ao próprio pai respeita. Eduardo Bolsonaro, com seus arroubos de adolescente rebelde em corpo de adulto, transformou a política internacional em palco para suas birras. Enquanto o país arca com as consequências, esse precisa de punição imediata - não por ideologia, mas por falta elementar de caráter e decoro.
E você querido (a) leitor (a) que sentença dará ao Pai e ao Filho?
Por Alcina Reis






