Dólar sobe e Bolsa tem 9ª queda seguida com fuga de estrangeiros
- porMetrópoles
- 14 de Agosto / 2026
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Os mercados de câmbio e ações operaram, mais uma vez, em meio a forte volatilidade nesta sexta-feira (14/8) no Brasil. O dólar subiu 0,52% frente ao real, cotado a R$ 5,22. Durante a sessão, contudo, ele chegou a R$ 5,24.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), reagiu no fim do pregão e fechou em leve queda 0,13%, aos 166,8 mil pontos. Às 14h47, no fundo do poço, ele atingiu 164,8 mil pontos.
Essa foi a nona baixa seguida do Ibovespa. Uma sequência desse tipo, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, só ocorreu duas vezes desde 2023.
De acordo com a consultoria, em 2023, somados os nove recuos consecutivos, as perdas atingiram 3,18%. Desta vez, a desvalorização foi além dos 7,3%, considerado o valor do índice às 14h45, aos 164,9 mil pontos.
Saída de estrangeiros
Na avaliação de analistas (leia abaixo), o mau humor do mercado tem como vetor a expressiva saída de capital estrangeiro da Bolsa, com grandes fundos globais reduzindo a exposição no Brasil em busca de proteção contra a volatilidade do período eleitoral e as incertezas no campo fiscal.
As altas do dólar e as quedas do Ibovespa acentuaram-se desde terça-feira (11/8), com a divulgação de um relatório do JPMorgan. No relatório, o banco americano rebaixou a recomendação de investimentos no Brasil.
A avaliação partiu do pressuposto de que a corrida presidencial provocará um aumento da volatilidade do mercado. Tal leitura levou a uma fuga de capitais estrangeiros da B3, fazendo com que o Ibovespa desabasse 2,50% no pregão.
Análise
Josias Bento, da GT Capital, é um dos analistas que atribui a queda do Ibovespa à saída de investidores estrangeiros da B3. “Eles seguem tirando dinheiro da nossa Bolsa e voltando a investir em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, com alocações mais voltadas para o mercado de tecnologia e inteligência artificial (IA)”, diz.
Para o analista, esse quadro “está fazendo o Ibovespa entregar praticamente toda a alta de 2026”. “Em janeiro, abrimos o índice nos 160 mil pontos”, afirma. “Já estamos bem próximos desse patamar, depois de chegarmos perto dos 200 mil pontos em fevereiro.”
Balanços
Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, observa que além do cenário político e do risco fiscal, a Bolsa sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras cautelosas e pressionou as ações de empresas com grande peso no índice, como o Banco do Brasil e a Sabesp.
“Essa combinação de resultados corporativos amargos e fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em patamares elevados, que garante retornos atrativos na renda fixa”, diz. “Isso drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas, bloqueando qualquer tentativa de reação da B3.”
Nossig destaca que, paralelamente, o mercado global lida ainda com a incerteza causada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Com isso, o preço do petróleo voltou a subir.
Petróleo
O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, avançou 1,67%, a US$ 88,52. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, registrou alta de 1,42%, a US$ 82,40.






