Deslizamento no Sudão apaga vila inteira e mata 1.400 pessoas
- porIG Último Segundo
- 02 de Setembro / 2025
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Deslizamento no Sudão apaga vila inteira e mata mil pessoas | Créditos: Freepik
Um deslizamento de terra devastou a vila de Tarasin, na região de Darfur Central, no Sudão, e deixou cerca de 1.400 mortos, segundo informações divulgadas pelo Movimento de Libertação do Sudão-Exército (SLM-A), grupo rebelde que controla a área. O desastre, considerado um dos mais letais da história recente do país, ocorreu no último domingo (31) após dias de fortes chuvas nas Montanhas Marrah. As informações são da Public Broadcasting Service.
De acordo com a organização, a vila foi “completamente nivelada ao chão” e apenas uma pessoa sobreviveu. Em comunicado, o líder Abdel-Wahid Nour fez um apelo por ajuda internacional.
“A escala e magnitude do desastre são imensas e indescritíveis” , afirmou.
O Conselho Soberano, em Cartum, lamentou a morte de centenas de moradores e declarou ter mobilizado “todas as capacidades possíveis” para apoiar a região. Imagens divulgadas pela imprensa local mostram o vilarejo reduzido a escombros entre cadeias montanhosas, enquanto equipes improvisadas buscam por corpos.
A área atingida fica em uma região de difícil acesso, onde deslocamentos são possíveis apenas a pé ou em animais de carga. As Montanhas Marrah, localizadas a mais de 900 km da capital, são conhecidas por seu clima mais frio e chuvas mais intensas em comparação às áreas vizinhas, e fazem parte de um sítio considerado patrimônio mundial.
A tragédia em Tarasin reforça a gravidade da crise humanitária no país, onde mais de 30 milhões de sudaneses (mais da metade da população) dependem de ajuda internacional para sobreviver.
Tragédias naturais são comuns durante a temporada de chuvas no Sudão, que vai de julho a outubro. No ano passado, um rompimento de barragem no Mar Vermelho provocou a morte de pelo menos 30 pessoas, segundo dados da ONU.
Conflito agrava crise humanitária
A catástrofe natural ocorre em meio à guerra civil que assola o Sudão desde abril de 2023, quando confrontos entre as Forças Armadas e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) se intensificaram. Mais de 40 mil pessoas já morreram no conflito e 14 milhões foram forçadas a deixar suas casas, de acordo com estimativas da ONU.
Organizações humanitárias alertam que grande parte da região de Darfur está isolada, dificultando o envio de ajuda. Médicos Sem Fronteiras descreveu a situação como “um buraco negro” no sistema de resposta humanitária, com comunidades privadas de assistência há mais de dois anos.






