Da coroa à gravata: “A Soberba que Precede a Queda”
- porAlcina Reis
- 21 de Agosto / 2025
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| Créditos: Imagem: Jornal Impacto Online
Não é à toa que a Bíblia foi, É, e sempre será um livro atual, "A soberba precede a queda." Essa máxima bíblica, presente em Provérbios 16:18, ressoa com força quando observamos o cenário político brasileiro atual. Líderes que, em sua arrogância, se colocam acima das instituições e da ética, acabam por pavimentar o caminho para sua própria ruína.
É fascinante como a história se repete, mesmo com roupas e tecnologias diferentes. Se a gente olhar para os líderes do nosso tempo e para os imperadores de antanho, a história da soberba e da queda é um livro aberto. Aquela frase "a soberba precede a queda" não é um ditado popular à toa; é a constatação de um padrão de comportamento que atravessa séculos.
Se na política atual a gente vê figuras como Bolsonaro ou Lula, com suas atitudes de "caciques", na época do Império a gente tinha Dom Pedro I. Ele era o cara da independência, o herói, o Imperador. Mas sua arrogância e falta de habilidade política para lidar com a oposição o levaram ao ostracismo. Ele não ouviu os "índios" (ou seja, os deputados e senadores da época), fechou a Assembleia Constituinte e impôs uma Constituição. O resultado foi uma crise política tão grande que ele teve que abdicar do trono. A soberba de se achar acima das instituições e da vontade popular custou-lhe o império.
E se a gente pensar em Dom Pedro II, a história é um pouco diferente, mas a lição é a mesma. Ele era conhecido pela sua erudição e postura austera, mas também por uma certa arrogância intelectual. Ele se via como um patriarca, o grande "pai" da nação, e acreditava que a sua palavra era a lei. A sua incapacidade de se adaptar aos novos tempos — com o fim da escravidão e o surgimento das ideias republicanas — e sua resistência em negociar com a oposição foram sua ruína. Ele perdeu o apoio dos militares e dos fazendeiros e foi deposto num golpe de Estado. A soberba de se achar indispensável, de não querer abrir mão do poder, levou-o ao exílio.
A gente pode até dizer que os tempos mudaram. Os imperadores usavam coroas e cetros, os líderes de hoje usam gravatas e microfones. Mas a essência da liderança, e os perigos da soberba, continuam os mesmos. A soberba é uma armadilha, um veneno que cega o líder e o faz acreditar que está acima de tudo e de todos.
Em suma, a política brasileira atual enfrenta desafios relacionados à falta de humildade e espírito coletivo. Líderes que buscam o poder pelo poder, sem considerar o bem comum, acabam por enfraquecer as instituições e pavimentar o caminho para sua própria queda.
A história nos ensina que a verdadeira liderança está em servir ao povo com respeito, ética e compromisso com a justiça.
Por Alcina Reis

| Créditos: Arquivo pessoal






