Crise sem Precedentes: Escândalo no Ueno Bank Força Renúncia de Santiago Peña e Sacode a Política no Paraguai
- porRedação
- 06 de Novembro / 2026
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O presidente paraguaio Santiago Peña Nieto assinou um decreto que designa o cartel vinculado a Maduro como terrorista. | Créditos: Foto: EFE/ Juan Pablo Pino
A estabilidade econômica do Paraguai sofreu um duro golpe com o colapso financeiro do Ueno Bank, escândalo que culminou na renúncia do presidente Santiago Peña (Partido Colorado) nesta quinta-feira (5). A avaliação é do líder da oposição e ex-candidato presidencial Efraín Alegre, do Partido Liberal. Segundo o oposicionista, a saída de Peña é uma manobra para manter o foro privilegiado e evitar a prisão após as investigações de uma fraude bilionária que atingiu cerca de 3 milhões de correntistas — quase metade da população do país.
O escândalo atinge diretamente o topo do poder Executivo. Peña, que já foi investidor da holding proprietária da instituição, nomeou em 2023 o então CEO da empresa financeira, Carlos Carvallo Spalding, para comandar o Banco Central do Paraguai (BCP). Em apenas quatro meses de gestão governamental, a entidade mudou de status para banco e passou a captar recursos estatais graças a flexibilizações regulatórias.
Impactos Econômicos e Culpabilidade Estatal
Para Efraín Alegre, o episódio afeta gravemente a reputação de previsibilidade e segurança institucional que atraía investidores estrangeiros, inclusive brasileiros. Embora o país mantenha indicadores macroeconômicos sólidos — como baixa pressão fiscal e inflação sob controle —, a suspeita de cumplicidade de órgãos reguladores e do alto escalão do governo em um prejuízo estimado em US$ 3 bilhões mina a confiança externa.
O líder opositor defende que a responsabilização não deve parar em Peña, devendo alcançar o vice-presidente Pedro Alliana, a Superintendência de Bancos e o Instituto de Previdência Social. Alegre rejeita a proposta de criação de um fundo de garantias custeado pelos cofres públicos, exigindo o ressarcimento integral dos poupadores lesados e a punição dos envolvidos.
Diagnóstico do Sistema Político
Analisando o cenário estrutural, Alegre classifica o evento não como um problema pontual de governo, mas como uma crise de Estado. De acordo com ele, a hegemonia de oito décadas do Partido Colorado se sustenta pelo uso de recursos públicos, pela influência do crime organizado e pelo financiamento da divisão da oposição — que, sem a previsão de segundo turno no sistema eleitoral paraguaio, permite a eleição de governos com minoria dos votos (como os 41% obtidos pela situação no último pleito).
Ao comparar o caso à crise do Banco Master no Brasil, o político destacou que escândalos dessa magnitude só prosperam com a participação ativa de setores do poder público. Diante do quadro atual, a oposição busca articular uma candidatura única para as próximas eleições, apresentando-se como alternativa à extrema-direita no poder.
Perfil | Efraín Alegre, 63 anos
Advogado e ex-professor de Direito na Universidad del Norte, em Assunção. Atuou como deputado federal (1998–2008), ministro de Obras Públicas no governo Fernando Lugo e presidiu o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) entre 2016 e 2023. Foi o principal candidato da oposição à Presidência da República nas eleições de 2013, 2018 e 2023.






