CPI do INSS pede quebra de sigilo de igreja ligada a investigados por descontos indevidos
- porRedação
- 03 de Fevereiro / 2026
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O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), protocolou nesta segunda-feira (2) um requerimento para a quebra de sigilo da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus. A medida foi motivada por indícios de ligação da instituição religiosa com pessoas investigadas no esquema de descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS.
De acordo com o parlamentar, a igreja pertence a Lucineide dos Santos Oliveira, apontada como sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), entidade que é alvo de apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeita de participação nas fraudes. O pedido de quebra de sigilo foi apresentado após reportagem apontar conexões entre a instituição religiosa e outros investigados.
No requerimento, Viana destaca que, no mesmo endereço onde funciona a igreja, também estaria registrada uma empresa ligada a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer), outra entidade citada nas investigações sobre irregularidades nos descontos realizados em benefícios previdenciários.
A CPI do INSS tem aprofundado as apurações sobre o envolvimento de associações, entidades e possíveis intermediários no esquema que teria causado prejuízos a milhares de aposentados e pensionistas. A AAB é uma das organizações que tiveram processos instaurados pela CGU para apurar responsabilidades administrativas.
O tema também tem provocado debates e divergências no meio político e religioso. As relações entre igrejas evangélicas e entidades investigadas passaram a ser discutidas com frequência nas sessões da comissão, especialmente após declarações da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que afirmou, em janeiro, haver igrejas e lideranças religiosas envolvidas nas fraudes.
As declarações geraram reações de líderes evangélicos, como o pastor Silas Malafaia, que cobrou a apresentação de provas e nomes. Posteriormente, Damares divulgou uma lista de requerimentos com pedidos de quebra de sigilo e convocações de pastores para prestar esclarecimentos à CPI, o que também foi alvo de críticas por parte de representantes religiosos mencionados.
Nesta segunda-feira, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou pedido de convocação de Silas Malafaia para depor na CPI do INSS. Segundo o parlamentar, a comissão precisa aprofundar a investigação sobre a atuação de lideranças religiosas que se posicionaram publicamente em defesa de entidades sob suspeita.
O senador Carlos Viana, que é evangélico e integrante da Igreja da Lagoinha, afirmou que a CPI seguirá com as investigações de forma técnica e imparcial, com foco na apuração dos fatos e na responsabilização dos envolvidos, independentemente de vínculos religiosos ou políticos.






