Conheça a história por trás dos caças da Venezuela que ‘intimidaram’ os EUA
- porR7
- 06 de Setembro / 2025
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Venezuela recebeu 16 F-16A de Washington nos anos 1980 | Créditos: Reprodução/Força Aérea Venezuelana
O voo de dois caças F-16 venezuelanos próximo ao destróier norte-americano USS Jason Dunham na quinta-feira (4) reacendeu o debate sobre a frota aérea do regime de Nicolás Maduro. O episódio trouxe à tona a história dos chamados Vipers na Venezuela, que já foram motivo de orgulho nacional e hoje atuam em condições limitadas.
A Venezuela foi o primeiro país da América do Sul autorizado a comprar o F-16. Em 1982, quando Caracas ainda mantinha relações estreitas com Washington, assinou um acordo que resultou no fornecimento de 16 F-16A e oito F-16B, todos do Bloco 15. As entregas ocorreram entre 1983 e 1985. Na época, a aquisição transformou a força aérea venezuelana em uma das mais avançadas da região.
O pacote incluiu 150 mísseis ar-ar AIM-9 Sidewinder, que deram aos F-16 vantagem em relação aos antigos Mirage III e Mirage 5 franceses. A importância da frota foi comprovada em novembro de 1992, quando o governo enfrentou uma tentativa de golpe liderada por militares próximos a Hugo Chávez.
As aeronaves foram responsáveis por ao menos três abates, incluindo um OV-10 Bronco atingido pelo canhão M61 em pleno voo.
Nos anos seguintes, a Venezuela buscou modernizar os caças, incluindo novos motores, mas a aproximação de Chávez com China e Rússia deteriorou as relações com os Estados Unidos.
Embargos de armas interromperam o fornecimento de peças e munições. Irritado, Chávez chegou a ameaçar vender F-16 ao Irã, e rumores indicaram que ao menos uma aeronave teria sido enviada para exploração técnica, embora nunca tenha sido confirmado o caso.
Sem apoio norte-americano, a Venezuela recorreu a alternativas. Israel forneceu equipamentos, como mísseis Python 4 e o pod de direcionamento Litening, além de possíveis armas de ataque guiadas. Também houve relatos de uso de peças adquiridas no mercado negro para manter parte da frota ativa. Ainda assim, as limitações persistem.
Dados da Flight Global indicam que, no fim de 2024, apenas três F-16A e um F-16B permaneciam em inventário ativo, operando no Grupo Aéreo de Caza 16 “Los Dragones”, em Maracay.
A espinha dorsal da força de caça venezuelana, no entanto, é formada por 21 caças russos Su-30MK2V, considerados mais modernos e versáteis, com capacidade de lançar mísseis de longo alcance e antinavios.
Tensão elevada no Caribe
Nas últimas semanas, os EUA enviaram uma série de navios de guerra e militares para o sul do Caribe.
Após a ação dos caças venezuelanos na quinta-feira, o governo Trump ordenou o envio de 10 jatos F-35 para o Caribe para realizar operações contra cartéis de drogas, revelou a agência de notícias Reuters na sexta (5). Os caças irão à base aérea em Porto Rico, próximo à região onde navios de guerra americanos estão mobilizados.
No início desta semana, Maduro afirmou que a Venezuela entrará em luta armada caso seja agredida pelos Estados Unidos. Ele chamou o envio das embarcações americanas à região de “a maior ameaça à América Latina do último século” e afirmou que a Venezuela não se curvará.
“Se a Venezuela for atacada, passaria imediatamente ao período de luta armada em defesa do território nacional, da história e do povo venezuelano”, declarou.






