Conflitos no Oriente Médio elevam preços de fertilizantes em Mato Grosso do Sul

| Créditos: Fabiano Bastos/Embrapa


A instabilidade geopolítica no Oriente Médio gerou um impacto direto nos custos do agronegócio em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço de insumos essenciais registrou altas expressivas, chegando a 65% em determinados compostos, o que eleva a pressão sobre o planejamento financeiro das próximas safras.

O principal reajuste foi observado no NPK 04-30-10, cuja tonelada saltou de R$ 3.355 em março de 2025 para R$ 5.544 no mesmo período deste ano. Outros produtos, como o fosfato monoamônico (MAP) e o cloreto de potássio (KCl), também tiveram aumentos, embora mais moderados, em torno de 3%. Já corretivos de solo, como calcário e gesso agrícola, subiram cerca de 10% e 11,4%, respectivamente.

Fatores Externos e Logística A disparada de preços é atribuída ao cenário internacional, que afeta a produção, o transporte e o custo da energia. A dependência de fornecedores externos, como Rússia e China, aliada ao encarecimento do gás natural — base para fertilizantes nitrogenados —, torna o mercado brasileiro vulnerável a crises externas. Além disso, gargalos logísticos em rotas marítimas estratégicas têm reduzido a oferta global.

Impacto na Produção Local O cenário tem dificultado a "relação de troca" para o agricultor, exigindo que ele utilize uma quantidade maior de grãos para adquirir o mesmo volume de fertilizantes. Segundo levantamentos do setor, houve uma queda de 23% no volume total de importações desses insumos no estado no primeiro trimestre deste ano, indicando uma postura mais cautelosa dos produtores.

Analistas do setor apontam que, enquanto a produtividade da soja conseguiu absorver parte dos custos, o milho permanece em uma situação mais delicada, com preços de venda que não acompanharam a valorização dos insumos na mesma proporção. A recomendação técnica atual é de foco rigoroso na gestão de custos para garantir a viabilidade econômica do ciclo 2025/2026.

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