Confederação da Agricultura pede ‘socorro’ a Alckmin

O presidente da CNA, João Martins, pediu ajuda do governo federal | Créditos: Divulgação/CNA


O presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), João Martins, fez um apelo nesta quarta-feira (29) ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para que o governo adote medidas urgentes contra a importação desleal de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Segundo ele, a falta de reação do país pode levar a uma crise estrutural e comprometer o futuro da indústria do leite brasileira.

A CNA, segundo Martins, vem atuando “com firmeza” na defesa do setor. Em agosto de 2024, a confederação protocolou um pedido de investigação antidumping contra Argentina e Uruguai, alegando que as importações desses países estão derrubando de forma artificial os preços no Brasil.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, contudo, negou o pedido, levando a entidade a solicitar uma reconsideração da decisão.

Martins afirma que o governo precisa agir com “responsabilidade e sensibilidade” para evitar que a crise se aprofunde e coloque em risco toda a cadeia produtiva do leite, que envolve desde pequenos produtores até a indústria de laticínios.

Ministro Geraldo Alckmin, precisamos combater práticas ilegais de comércio. É necessário que o senhor acate as medidas pleiteadas pela CNA”, declarou Martins.

De acordo com o presidente da CNA, o Brasil tem mais de 1 milhão de produtores de leite, sendo mais de 80% pequenos agricultores. Ele afirma que o setor enfrenta uma “crise profunda e injusta”, causada pela entrada de leite em pó estrangeiro a preços artificialmente baixos, o que tem derrubado o valor pago ao produtor nacional.

Em agosto de 2025, segundo ele, o litro do leite era vendido, em média, a R$ 2,77. Hoje, há relatos de produtores recebendo cerca de R$ 1,60 por litro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção.

Isso significa perda de renda no campo, propriedades ameaçadas, famílias desamparadas e um risco real de o Brasil perder sua base produtiva de leite”, alertou Martins.

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