Como um bunker da Guerra Fria será transformado em condomínio para bilionários
- porR7
- 17 de Agosto / 2026
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Bunker foi construído para proteger funcionários do governo canadense de um eventual ataque nuclear | Créditos: Reprodução/Instagram/@jonathan.bahai
Um antigo bunker construído durante a Guerra Fria para proteger funcionários do governo canadense de um eventual ataque nuclear está prestes a ganhar uma nova função: será transformado em um condomínio de luxo voltado a pessoas que querem se preparar para cenários extremos.
Localizado em Debert, a cerca de 113 quilômetros de Halifax, no Canadá, o complexo tem uma área de quase 6.000 metros quadrados e deverá abrigar 50 unidades residenciais. A proposta prevê estrutura para que os moradores permaneçam protegidos e tenham acesso a serviços mesmo em situações de emergência.
Segundo a BBC, o projeto é liderado pelo empresário canadense do setor de criptomoedas Jonathan Baha’i, que adquiriu o antigo abrigo em 2013. A ideia inicial para o espaço incluía atrações turísticas, como jogos de laser tag, passeios históricos e um pequeno centro de dados.
Agora, o empreendimento terá uma estrutura muito mais sofisticada. De acordo com a emissora britânica, entre as comodidades planejadas estão refeições gourmet produzidas a partir de uma fonte de alimentos considerada autossustentável, acesso por biometria, monitoramento 24 horas, atendimento médico, spa, e sala de ioga.
O complexo ainda deverá contar com tecnologia para reproduzir iluminação natural por meio de luzes OLED. Um bunker adjacente será utilizado para o cultivo de alimentos, enquanto drones poderão ser empregados na fiscalização do perímetro.
A localização também foi considerada estratégica para os futuros moradores. Quem tiver avião particular poderá utilizar o Aeroporto de Debert, que fica nas proximidades.
A estrutura original foi construída por ordem do então primeiro-ministro canadense John Diefenbaker, que determinou a construção de sete bunkers semelhantes pelo país entre o fim dos anos 1950 e meados dos anos 1960. O objetivo era criar locais capazes de abrigar integrantes do governo em caso de uma guerra nuclear.
O bunker de Debert foi projetado para suportar uma explosão nuclear nas proximidades e acomodar 329 pessoas durante pelo menos 30 dias. Com o avanço da tecnologia militar e o surgimento de mísseis de longo alcance, porém, as instalações acabaram se tornando obsoletas. O local funcionou posteriormente como centro provincial de alerta de emergência até ser fechado em 1996.
Além das unidades residenciais, o projeto prevê a expansão de um centro de dados para cerca de 1.400 metros quadrados. A expectativa é criar mais de 40 empregos entre funcionários do hotel e profissionais responsáveis pela operação da estrutura tecnológica, com preferência por trabalhadores da região.
O modelo de negócio também prevê que os apartamentos possam ser alugados como quartos de hotel quando seus proprietários não estiverem no local. Os valores de compra e hospedagem, no entanto, ainda não foram divulgados.
O empreendimento já despertou críticas de moradores preocupados com o caráter exclusivo do projeto. À BBC, Annette Sharpe, secretária do Museu Militar de Debert, lamentou que parte da história do local tenha passado para a iniciativa privada. Já autoridades locais avaliam que o condomínio pode trazer novos negócios e empregos para a região.
A previsão é que as obras de transformação do antigo bunker sejam concluídas no início de 2027.






