Com 10 mil soldados, Trump deixa América Latina em estado de alerta máximo com risco de intervenção na Venezuela
- porRedação
- 16 de Outubro / 2025
- Leitura: em 9 segundos

| Créditos: US Navy/Divulgação
A mobilização de mais de 10 mil soldados dos Estados Unidos no Caribe, a maior na América Latina em três décadas, sob o pretexto de combater o narcotráfico, eleva o alerta regional, entre Nações Unidas e potências globais, para uma possível operação militar na Venezuela.
Documentos recentes da ONU revelam a preocupação de que uma intervenção esteja iminente, gerando um cenário descrito por embaixadores como de "alerta máximo" devido ao risco de desestabilização regional.
Estratégia dos EUA e Resposta de Maduro
Apesar de o contingente ser insuficiente para uma invasão terrestre, a presença das tropas em locais como Porto Rico e Trinidad e Tobago pode servir de base para ataques aéreos. O jornal The New York Times divulgou que o governo americano autorizou operações secretas da CIA contra Nicolás Maduro, e o presidente dos EUA chegou a considerar ataques terrestres contra cartéis venezuelanos.
Em resposta, o líder venezuelano, Nicolás Maduro, exigiu respeito à soberania e ao direito internacional, apelando pela paz: "não queremos guerra no Caribe e América Latina". A oposição, contudo, defende a postura americana, com a líder Maria Corina Machado, laureada com o Nobel da Paz, afirmando que "precisamos da ajuda do presidente dos Estados Unidos para parar essa guerra".
Divisão na América Latina e Preocupação do Brasil
O governo brasileiro acompanha a crise com "enorme preocupação", mas enfrenta o colapso dos projetos de integração regional capazes de frear ofensivas externas. Uma tentativa do Itamaraty e outras chancelarias de obter uma declaração conjunta de repúdio à mobilização na Comunidade de Estados Latino-Americanos (Celac) resultou em fracasso, com apenas 21 países aderindo ao texto.
Argentina, Equador e Paraguai, por exemplo, aliados de Washington, recusaram-se a assinar, demonstrando uma "ofensiva diplomática" dos EUA na região. O Paraguai, inclusive, usou a Assembleia Geral da ONU para ecoar a narrativa de Donald Trump sobre a "situação alarmante" na Venezuela.
Alertas de China e Rússia
Com amplos interesses em Caracas, China e Rússia alertaram Washington sobre as consequências de uma ação militar. O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, condenou a "pressão e as ameaças militares sem precedentes", classificando-as como "campanha descarada" com o propósito de "mudança de regime". Ele pediu que os EUA suspendam a escalada e não cometam o "erro irreparável" de um ataque, que poderia levar a uma grave desestabilização regional.
O embaixador chinês, Fu Cong, juntou-se ao apelo, repudiando "ameaças ou o uso da força nas relações internacionais" e a "interferência estrangeira nos assuntos internos da Venezuela".
Cronologia da Tensão e Pedido de Contenção da ONU
A ONU passou a acompanhar de perto a crise. O secretário-geral adjunto para as Américas, Miroslav Jenca, relatou um "aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe Meridional" desde agosto. A escalada envolveu o deslocamento de navios de guerra dos EUA, alguns vindos do Iêmen e do Pacífico, e ataques aéreos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas, que resultaram em 27 mortes até o momento.
Em resposta, Maduro mobilizou 4,5 milhões de membros da Milícia Bolivariana e assinou um decreto de Estado de Emergência.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem reiterado o apelo para que as partes reduzam as tensões, exerçam contenção e resolvam as diferenças pacificamente, garantindo que as ações de combate ao narcotráfico estejam em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, evitando uma invasão.
Fonte: UOL






