Chantagem de quase Meio Milhão expõe esquema de fraude em obra de pavimentação em Terenos
- porRedação
- 01 de Outubro / 2025
- Leitura: em 8 segundos

| Créditos: Foto: Henrique Kawaminami/Campo Grande News
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) utilizou áudios e mensagens de celular — que incluem uma tentativa de chantagem de R$ 437 mil — para fundamentar denúncias sobre um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos. O caso detalha o uso indevido de recursos públicos destinados a uma obra de pavimentação, que teriam sido desviados para quitar outro projeto já finalizado.
A denúncia envolve o prefeito afastado Henrique Wancura Budke, o então secretário de Desenvolvimento Valdecir Batista Alves, e os empresários Vanuza Cândida Jardim e Sandro José Bortoloto. Vanuza Jardim foi alvo de busca e apreensão na Operação Spotless, mas não foi denunciada formalmente à Justiça.
Detalhes da Manobra Financeira
De acordo com o MPMS, Vanuza Jardim teria intermediado a liberação de verbas para a obra de pavimentação. No entanto, o dinheiro não foi aplicado na finalidade prometida, caracterizando desvio de recursos, e teria sido utilizado para pagar uma obra anterior.
Ameaça e Confissão Implícita
Ao não receber o valor que alegava ser seu por conta do acordo, a empresária passou a cobrar Sandro Bortoloto, citando nominalmente Budke e Alves como responsáveis pela manobra.
"Se não me pagarem, vou entregar minhas conversas com Henrique e com Valdeci", teria ameaçado Vanuza ao cobrar os R$ 437 mil que considerava seu prejuízo.
Em áudios anexados à denúncia, a empresária afirma ter gravações que comprovam a participação de agentes da prefeitura na liberação da verba, a pedido de Valdecir, para pagar a obra já concluída. "Aí em Terenos me roubaram R$ 437 mil... o Valdeci pediu que eu liberasse... eu liberei e ele não pagou... O Henrique também sumiu, mas engano deles achar que eu não tenho tudo guardado," diz um trecho transcrito.
O MPMS afirma que a chantagem expôs a participação direta de Valdecir Alves e reforçou o papel central do prefeito afastado Budke na organização criminosa. A Promotoria entende que o episódio evidencia uma rede de corrupção que ia além das fraudes em licitação, envolvendo acordos informais e ameaças internas. A denúncia ainda reforça a proximidade entre os envolvidos, lembrando que Valdecir, conhecido como o "camisa 10" da equipe e sócio privado do prefeito, admitiu em interrogatório ser pessoa de confiança de Budke.






