“Chamem a Naza: deu bug na direita”


O fanatismo e a idolatria política no Brasil precisam, com urgência máxima, ser estudados pela Naza. Sim, Naza mesmo — porque já não é questão de ciência política, é caso de engenharia espacial com manual de paciência em cápsula pressurizada. A escolha de Jair Bolsonaro pelo filho Flávio como candidato à presidência é tão previsível e hereditária que poderia ser anunciada com um simples: “próximo da fila: o primogênito”.

Nas redes, o deboche tomou conta: teve gente dizendo que a sucessão parece mais novela mexicana do que projeto partidário; outros garantem que o anúncio veio com cheiro de testamento político, não de estratégia eleitoral. Mas, como sempre, os seguidores mais fiéis celebram como se o clã fosse patrimônio imaterial da nação.


Os nomes da direita deixados no corredor — homens e mulheres

Enquanto isso, quem realmente poderia representar a direita brasileira segue sentado no banco de espera segurando uma pasta de currículo que ninguém quer folhear.

Tarcísio de Freitas, com seu perfil técnico e pragmático.
Romeu Zema, com discurso empresarial e política de estabilidade.
Ratinho Jr., com elo regional e governabilidade.

E as mulheres? Também existem, e fortes:
Tereza Cristina, articulada, respeitada, com trânsito e credibilidade.
Janaína Paschoal, com coragem, discurso contundente e presença marcante no debate público.

Mas, diante do clã Bolsonaro, todos esses nomes — mulheres e homens — tornam-se figurantes. O único critério que realmente importa precisa estar na certidão de nascimento: o sobrenome.


Até Michelle entrou e saiu do jogo

Michelle Bolsonaro até foi cogitada, mas ousou demais. Bastou uma demonstração de independência, uma posição própria, um movimento fora da cartilha, e pronto: caiu da rota. No clã Bolsonaro, autonomia é defeito grave, punição aplicada no ato.
E ela foi riscada do quadro de possibilidades antes mesmo de ocupar um espaço real.


Leitor bolsonarista, a pergunta continua de pé

Existe, sinceramente, alguém que ainda acredite que Bolsonaro alguma vez teve um plano de governo para o Brasil?
Pergunto de coração aberto — e humor igualmente aberto.

Porque tudo o que se viu até aqui deixa claro que os planos dele sempre tiveram endereço certo: ele, seus filhos, sua família. E PONTO.

Mobilizações em massa, bravatas, paralisações — tudo sempre em causa própria. Até a famosa tentativa de parar o país com caminhoneiros serviu mais ao clã do que ao povo.


A verdade nua, direta e sem filtro

A direita conservadora no Brasil está órfã — e não é de pai, é de líder.
Falta alguém que articule, que proponha, que tenha projeto nacional de verdade. Alguém que una o campo conservador, sem ajoelhar diante de um sobrenome.

Porque seguir um clã como se usasse “tapa-olho de boi” tem custado caro.
Muito caro.

Direita brasileira, acordem.
Enfrentem.
Parem de permitir que um movimento inteiro seja conduzido por dinastia — e não por competência.

Caso contrário, anotem aí: se continuar assim, 2026 será Lula novamente — e sem muita dificuldade.


Por Alcina Reis

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