Certidão de MS foi usada em fraude milionária de grilagem com suposta participação de desembargador
- porRedação
- 09 de Junho / 2025
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| Créditos: Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Uma certidão de nascimento emitida em Aparecida do Taboado, a 458 quilômetros de Campo Grande, foi utilizada para criar uma identidade falsa que deu origem a um esquema milionário de grilagem de terras no estado de Mato Grosso. A fraude resultou na posse indevida de uma área de 6 mil hectares, avaliada em mais de R$ 300 milhões, no município de Sinop (MT).
Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o esquema envolve o uso da certidão para forjar a identidade de Edison Martins Gomes, assumida por Edson Ramos Camargo — foragido desde 1972 e condenado por contrabando. Com o nome falso, ele obteve documentos como CPF, RG, título de eleitor e passaporte em diversos estados.
Com base em matrícula de imóvel falsificada, a identidade fictícia teria vendido uma área de 2.420 hectares, localizada em Manitsauá Missu, por apenas R$ 18 mil ao comprador Pedro Pereira de Souza. Em seguida, uma ação reivindicatória foi ajuizada em nome do falso Edison, representado por seu filho, o advogado Diogo Luiz Biondo de Souza, que, de acordo com o MP, tinha ciência da fraude e agiu em benefício do pai.
O caso também envolve o advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá (MT), e o desembargador João Ferreira Filho, atualmente afastado do cargo. O MP afirma que, mesmo após a revelação da falsidade dos documentos, o magistrado manteve a decisão que concedia a posse da área.
Ainda conforme a acusação, há indícios de que a decisão judicial tenha sido obtida mediante pagamento ilícito, com participação de Zampieri e do desembargador relator do recurso. O conteúdo do celular de Zampieri, apreendido após o assassinato, é considerado peça-chave nas investigações e teria motivado o afastamento do magistrado.
A representação aponta indícios dos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção, estelionato judicial, prevaricação e associação criminosa. O pedido foi assinado pelo subprocurador-geral de Justiça Jurídico e Institucional, Marcelo Ferra de Carvalho, e está em análise pelo CNJ.






