‘Cena brutal’: desertora diz que escola levou crianças para ver execução na Coreia do Norte
- porR7
- 22 de Julho / 2026
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Kim Eun-joo tinha 9 anos quando uma professora interrompeu a aula e conduziu os alunos até o local onde o condenado seria morto | Créditos: Arquivo pessoal/Kim Eun-joo
A desertora Kim Eun-joo afirmou que foi levada ainda criança por sua escola para assistir a uma execução pública na Coreia do Norte. Segundo o relato, ela tinha 9 anos quando uma professora interrompeu a aula e conduziu os alunos até o local onde o condenado seria morto. A lembrança, descrita por ela como uma das cenas mais brutais que já presenciou, foi apresentada durante um evento internacional que discutiu o uso da pena de morte pelo regime de Kim Jong-un.
O depoimento ocorreu durante o 9º Congresso Mundial Contra a Pena de Morte, realizado entre os dias 30 de junho e 2 de julho, em Paris, na França. O evento, organizado pela Coalizão Mundial Contra a Pena de Morte (WCADP), reuniu representantes de governos, organizações de direitos humanos e especialistas para discutir a abolição da pena capital. Pela primeira vez, a Coreia do Norte teve seu sistema de execuções colocado oficialmente na agenda do encontro.
Kim Eun-joo participou da programação como ativista de direitos humanos e autora do livro de memórias The Eleven-Year-Old’s Will. Durante a sessão sobre a situação no Leste Asiático, ela relatou episódios que mostram como as execuções públicas seriam utilizadas pelo governo norte-coreano como uma forma de intimidação e controle social.
“Eu chorava até quando nosso cachorro da família morria. Mas, na primeira vez que vi seres humanos matando outro ser humano, não tinha palavras para descrever o que sentia. Foi a cena mais brutal que já vi, em qualquer filme ou na vida real”, afirmou Kim em entrevista ao jornal sul-coreano The Korea Times. Ela disse que a cena permaneceu marcada em sua memória e que o objetivo dessas execuções seria não apenas punir uma pessoa, mas criar medo entre toda a população.
Segundo a desertora, em alguns casos as famílias dos condenados eram obrigadas a acompanhar a execução de perto, aumentando o impacto psicológico do episódio. Kim afirmou ainda que parte das condenações envolvia crimes relacionados à sobrevivência, como roubo de alimentos durante períodos de fome. De acordo com ela, situações que em outros países poderiam resultar em penas menores eram tratadas com extrema severidade na Coreia do Norte.
Nascida na cidade de Eundok, na província de Hamgyong Norte, Kim Eun-joo deixou o país após enfrentar anos de dificuldades durante a grande fome que atingiu a Coreia do Norte nos anos 1990. Ela e sua família cruzaram a fronteira com a China em 1999, mas foram posteriormente capturadas e devolvidas ao território norte-coreano. Em 2002, conseguiram fugir novamente e, após uma longa jornada, Kim chegou à Coreia do Sul em 2006.
Durante o congresso em Paris, organizações como o Transitional Justice Working Group (TJWG), da Coreia do Sul, defenderam que as práticas de execução da Coreia do Norte podem configurar graves violações de direitos humanos. A entidade afirmou que o país utiliza a pena de morte como instrumento de medo e controle político. A relatora especial da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, Elizabeth Salmón, também destacou que ninguém deveria ser obrigado a assistir a uma execução.
Após o depoimento, Kim afirmou que seu objetivo é ampliar o conhecimento internacional sobre a realidade dos direitos humanos na Coreia do Norte. Para ela, expor essas histórias é uma forma de impedir que essas violações permaneçam desconhecidas e pressionar por mudanças no tratamento dado aos cidadãos do país.






