Carnaval exige atenção com doenças transmitidas pelo beijo e contato próximo

O Carnaval é tempo de festa e celebração, mas a proximidade física e o compartilhamento de objetos nas aglomerações exigem cuidados redobrados com a saúde. Embora o beijo seja considerado de baixo risco para a maioria das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), ele é a principal via de transmissão de diversas viroses e bactérias que podem comprometer o bem-estar no período pós-folia.

Na prática, a conhecida “doença do beijo”, a mononucleose, não é a única preocupação. Segundo a infectologista Natália Sicuti, enfermidades respiratórias como influenza e covid-19, além de herpes simples e citomegalovírus, circulam com facilidade em ambientes de grande concentração de pessoas. O compartilhamento de copos e garrafas, embora represente risco menor, também pode favorecer a transmissão por meio da saliva.

Sintomas podem ir além da ressaca

Muitos foliões associam o mal-estar após os blocos apenas à exaustão física ou à ressaca. No entanto, a médica alerta que há sinais que indicam infecção. Febre prolongada, dor de garganta persistente, cansaço intenso e aumento dos linfonodos (ínguas) podem durar dias ou até semanas. Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico.

O período de incubação varia conforme o agente infeccioso. Algumas viroses apresentam sintomas em até três dias, enquanto outras podem levar de quatro a seis semanas para se manifestar.

Alerta para sífilis em Campo Grande

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande reforça que, embora raro, o beijo pode transmitir sífilis e HPV quando há feridas ou lesões ativas na boca. Em Campo Grande, a sífilis permanece entre as ISTs mais notificadas, com aumento de casos observado no período pós-Carnaval.

Para atender à possível elevação na demanda, a Prefeitura informou que reforçou os estoques de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C em toda a rede do SUS. A orientação é que pessoas com dor de garganta persistente, lesões bucais ou outros sintomas suspeitos procurem uma unidade de saúde.

Grupos mais vulneráveis

O cuidado deve ser redobrado por gestantes, crianças, idosos e pacientes imunossuprimidos, como aqueles em tratamento oncológico ou que vivem com HIV, pois apresentam maior risco de complicações.

Além das medidas individuais de prevenção, a Sesau manterá ações educativas e distribuição de preservativos nos blocos de rua, reforçando a conscientização sobre as diferentes formas de transmissão de infecções durante o Carnaval.

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