Campo Grande registra menor taxa de gravidez na adolescência em dez anos e consolida avanços na atenção primária
- porRedação
- 03 de Fevereiro / 2026
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Campo Grande alcançou, em 2025, a menor taxa de gravidez na adolescência dos últimos dez anos. Até outubro, o índice foi de 9,58% dos nascidos vivos, percentual inferior às médias estadual e nacional. O resultado é atribuído ao fortalecimento do pré-natal, à ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração e à reorganização da Atenção Primária à Saúde, que passou a contar com apoio técnico do Hospital Israelita Albert Einstein.
Os avanços ganham ainda mais relevância durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada de 1º a 8 de fevereiro, conforme a Lei nº 13.798/2019, que prevê a disseminação de informações preventivas, educativas e sobre métodos contraceptivos em todo o país.
Desde julho de 2024, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande integra o PlanificaSUS, iniciativa que recebe apoio técnico do Hospital Albert Einstein para qualificar os processos da rede municipal. Na última semana, especialistas da instituição estiveram no município para acompanhar a aplicação do modelo, que prioriza o fortalecimento do pré-natal e a integração entre a atenção básica e os serviços especializados.
Na prática, o PlanificaSUS atua diretamente na rotina das equipes de saúde da família e dos ambulatórios especializados, contribuindo para o aperfeiçoamento de fluxos, a reorganização de processos e o acompanhamento mais efetivo de gestantes e crianças. Segundo o especialista de Projetos do Hospital Albert Einstein, Dorival Pereira Junior, o objetivo é transformar planejamento em resultados concretos no atendimento à população.
“Trabalhamos junto às equipes para identificar oportunidades de melhoria nos processos, como o cadastro da população e o acompanhamento das gestantes no território. Isso permite programar melhor o cuidado, otimizar recursos e reduzir internações e a procura por pronto-socorro”, explica.
Entre as prioridades do município está a qualificação do pré-natal e do acompanhamento infantil, com identificação precoce das gestantes e maior integração entre a Atenção Primária e os serviços especializados. Nesse contexto, Campo Grande avança na reorganização do ambulatório de atendimento a gestantes de alto risco, buscando garantir um cuidado mais ágil e resolutivo.
Para a superintendente de Atenção Primária à Saúde da Sesau, Ana Paula Resende, os resultados refletem uma mudança estrutural na forma de organizar o cuidado. “Os indicadores positivos são fruto de um trabalho técnico consistente, que une planejamento, capacitação das equipes e o apoio institucional de uma referência como o Hospital Albert Einstein. O PlanificaSUS tem sido fundamental para qualificar o pré-natal, fortalecer a atenção materno-infantil e reduzir agravos evitáveis”, afirma.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 10.055 nascidos vivos no município, sendo 959 de mães adolescentes. No mesmo período de 2024, a taxa era de 10,42%, confirmando uma tendência histórica de queda. Em 2015, o índice chegou a 16,03%.
Outro dado que reforça esse avanço é a ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração. Em 2025, foram realizadas 457 inserções de implante subdérmico, um aumento de 657,5% em relação ao ano anterior. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, foram 192 procedimentos, crescimento de 2.300% na comparação com 2024.
Além do implante subdérmico, a rede municipal segue ofertando outros métodos contraceptivos, como DIU de cobre e hormonal, preservativos internos e externos, pílula anticoncepcional, injeções mensais e trimestrais, laqueadura e vasectomia, garantindo atendimento individualizado e orientado às necessidades de cada pessoa e família.
A expansão do acesso está diretamente relacionada à descentralização da oferta nas unidades de saúde, à capacitação de médicos e enfermeiros e à incorporação do implante subdérmico como prática rotineira na Atenção Primária. A estratégia segue as diretrizes do PlanificaSUS, que prioriza a organização da rede e a atuação integrada entre os níveis de atenção.
Para o Hospital Albert Einstein, a experiência em Campo Grande evidencia a importância do apoio institucional no fortalecimento do Sistema Único de Saúde. “Levamos nossa experiência em gestão, organização de processos e melhoria da assistência para diferentes realidades do país, sempre respeitando o contexto local. Campo Grande tem avançado de forma consistente nesse caminho”, conclui Dorival Pereira Junior.






