Campo Grande abriga cerca de 400 espécies de aves e ganha destaque internacional às vésperas da COP15

Às vésperas da realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15/CMS), especialistas destacam a importância de Campo Grande para a biodiversidade. Levantamentos indicam que a capital de Mato Grosso do Sul abriga cerca de 400 espécies de aves nas áreas urbana e periurbana, sendo aproximadamente 20% delas migratórias.

Conhecida como Capital Morena, a cidade é reconhecida internacionalmente pela presença de áreas verdes, parques ecológicos, cursos d’água e vegetação que atravessa bairros inteiros. Essa combinação faz de Campo Grande um verdadeiro refúgio para a fauna, especialmente para aves migratórias que cruzam continentes e encontram no município locais para descanso, alimentação e até reprodução.

A pesquisadora e educadora ambiental Maristela Benites, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, explica que a diversidade de aves na cidade chama atenção de pesquisadores e observadores da natureza.

“Campo Grande tem aproximadamente 400 espécies de aves somente na área urbana e periurbana e podemos afirmar que cerca de 20% delas são migratórias”, destaca.

Segundo a pesquisadora, a migração é um fenômeno natural e biológico que ocorre em várias partes do planeta, envolvendo deslocamentos periódicos de populações de animais entre áreas reprodutivas e não reprodutivas, em busca de condições ambientais favoráveis.

Espécies migratórias passam pela Capital ao longo do ano

Diversas espécies de aves migratórias passam por Campo Grande durante o ano, seguindo ciclos naturais relacionados ao clima, disponibilidade de alimento e reprodução. Por isso, é possível observar aves migratórias na cidade em praticamente todos os meses, embora algumas apareçam com maior frequência em determinados períodos.

Entre elas estão as chamadas migrantes neárticas, que vêm da América do Norte para fugir do inverno rigoroso. Essas espécies costumam ser vistas com mais intensidade entre agosto e abril. Exemplos incluem:

Águia-pescadora

Falcão-peregrino, considerado o animal mais rápido do planeta, capaz de atingir cerca de 300 km/h

Diversas espécies de maçaricos

Sovi-do-norte

Há também as migrantes austrais, que realizam deslocamentos dentro da própria América do Sul em busca de temperaturas mais amenas, aparecendo na região principalmente entre abril e novembro. Entre elas estão:

Príncipe (ave)

Calhandra-de-três-rabos

Outro grupo importante é formado por aves que se reproduzem em Campo Grande e em outras regiões do sul e sudeste do Brasil e depois seguem em direção ao norte do continente. Entre elas estão:

Tesourinha

Bem-te-vi-rajado

Suiriri-de-garganta-branca

Essas espécies costumam ser observadas na cidade entre o final de julho e março ou abril.

Importância das áreas verdes urbanas

De acordo com a gerente de Arborização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável de Campo Grande (Semades), Dayane Zanela, a arborização urbana e as áreas de preservação permanente desempenham papel fundamental para a conservação dessas espécies.

Segundo ela, árvores, parques e corredores verdes funcionam como uma infraestrutura ecológica urbana, oferecendo abrigo, locais de repouso e suporte alimentar para aves durante suas rotas migratórias.

Esse trabalho também contribuiu para que Campo Grande fosse reconhecida como capital do turismo de observação de aves, com políticas voltadas à arborização urbana, ampliação das áreas verdes e valorização de espécies nativas.

COP15 coloca Campo Grande no centro das discussões ambientais

Esse cenário ganha ainda mais relevância com a realização da COP15/CMS, conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontecerá em Campo Grande entre os dias 23 e 29 de março de 2026.

Durante o encontro, representantes de governos, cientistas e organizações internacionais vão discutir estratégias globais para a proteção das espécies migratórias. Entre os temas previstos estão:

combate à captura ilegal de animais;

criação de planos de conservação para espécies ameaçadas;

proteção de corredores ecológicos usados nas rotas migratórias;

impactos das mudanças climáticas e da perda de habitat sobre a fauna.

Para Maristela Benites, sediar um evento desse porte representa um momento histórico para a cidade e para o Estado.

“É um momento histórico para o município e para o estado. Temos a oportunidade de protagonizar discussões sobre ciência e política ambiental, além de mostrar nossa biodiversidade, nossos biomas e mobilizar a sociedade para um tema global”, afirma.

Durante a conferência, o Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo também participará da programação científica com uma mesa temática sobre observação de aves e aves migratórias, além do lançamento do livro “Aves do Caminho da Escola”, que aborda a relação entre educação ambiental e observação de aves no cotidiano escolar. 

Compartilhe: