Campanha de Lula deve apostar em transição energética e terras raras em programa de governo
- porR7
- 04 de Agosto / 2026
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Lula afirmou que a redução da jornada sem prejuízo ao salário foi um compromisso assumido pelo governo | Créditos: Foto: Ricardo Stuckert/PR
A cúpula do PT aposta que um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá como uma de suas principais marcas a exploração estratégica das terras raras e o avanço da transição energética. A avaliação é compartilhada por integrantes da legenda envolvidos na elaboração do programa de governo para as eleições de 2026.
Conforme apurou a RECORD, a proposta que está sendo construída pela equipe responsável pelo plano de governo deve manter a linha adotada na atual gestão, sem mudanças significativas na política econômica. A orientação é preservar o chamado “arcabouço” do governo, conciliando responsabilidade fiscal e responsabilidade social.
Paralelamente, o texto deve dar destaque ao potencial brasileiro em minerais críticos e às políticas voltadas à transição energética.
Interlocutores afirmaram à reportagem que a versão final do documento ainda está em elaboração e passa por discussões com o próprio presidente Lula, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e outros integrantes da coordenação.
O interesse de Lula pelo tema das terras raras tem se intensificado nos últimos meses e aparece com frequência em seus discursos públicos. Em evento recente, o presidente afirmou que pretende tratar o assunto como prioridade em um eventual novo mandato.
“Quero que vocês saibam que vou levar muito a sério essa história de terras raras. Tem muita gente metendo o dedo. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro”, afirmou durante a convenção do PT nesse domingo (2).
Em outra ocasião, reforçou o discurso de soberania sobre os recursos minerais do país. “Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras.”
No início de julho, Lula reuniu ministros, especialistas e representantes do setor produtivo, no Palácio do Planalto, para discutir a estratégia do governo para os minerais críticos e as terras raras. Ao fim do encontro, classificou a iniciativa como um marco na política brasileira para o setor e anunciou a criação de um conselho específico para tratar do tema.
Na ocasião, o presidente defendeu que o aproveitamento estratégico dos recursos minerais brasileiros é fundamental para fortalecer a soberania econômica, tecnológica e industrial do país.
As chamadas terras raras correspondem a um conjunto de minerais fundamentais para a fabricação de tecnologias de alto valor agregado, como ímãs permanentes, motores elétricos, baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos e produtos ligados à transição energética. Apesar do nome, esses minerais não são necessariamente escassos, mas sua extração e processamento exigem tecnologia complexa.
O tema ganhou ainda mais relevância no cenário internacional diante da disputa geopolítica entre grandes potências pelo controle das cadeias de minerais críticos. O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, o que tem despertado o interesse de diferentes países, incluindo os Estados Unidos.
Em meio às tensões comerciais entre Brasília e Washington, integrantes do governo brasileiro avaliam que transformar esses recursos em uma política de desenvolvimento industrial e tecnológico poderá ser um dos principais eixos de um eventual novo mandato de Lula.






