“Cabeça de Trump é Igual a Bunda de Bebê”: Nunca Se Sabe o que Pode Sair de Lá
- porAlcina Reis
- 24 de Setembro / 2025
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A diplomacia, essa arte milenar da conversa e da cautela, parece perder o rumo quando o assunto é Donald Trump. A promessa de um diálogo entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, Lula e Trump, após um "breve encontro" na ONU, é, no mínimo, um aceno incerto. Os especialistas, como Natali Hoff, são uníssonos: o aceno é bem-avaliado, mas a cautela é a palavra de ordem. E por quê? Porque, como diz o senso comum, cabeça de Trump é igual bunda de bebê: nunca se sabe o que pode sair de lá.
A imprevisibilidade é a marca registrada do ex-presidente americano. Ele acena, promete "química excelente" e, no instante seguinte, impõe tarifas, ameaça sanções e joga o parceiro em uma posição de perda significativa. Vimos isso com a União Europeia, com o Japão, com a Coreia do Sul.
O padrão é claro: ameaçar com o pior cenário para que o acordo, mesmo que ruim, pareça uma vitória. A política de Trump não é de cooperação, mas de coerção.
Gabriel Petter, comentarista político, reforça a complexidade do momento, apontando que os discursos de Lula e Trump refletem fases políticas distintas. Lula, focado em temas globais, toca em questões sensíveis sem se dobrar a pressões ideológicas. Trump, por outro lado, agita a base ideológica de seu governo.
O encontro, ainda que vago, já causa "desânimo" na oposição brasileira, o que demonstra a força simbólica desse movimento, mesmo que o resultado prático seja incerto.
Diante do elogio público de Trump a Lula, a reação de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não tardou. Em suas redes sociais, ele minimizou o afago, afirmando que a postura de Trump seria parte de uma "estratégia de negociação" e uma demonstração de sua "genialidade como negociador".
Segundo Eduardo, Trump eleva a tensão, aplica pressão e, em seguida, se reposiciona com ainda mais força à mesa de negociações. Ele chegou a comparar a situação com um xadrez geopolítico, onde Lula estaria agora com a "difícil missão de extrair algo de positivo".
A "lenta, mas progressiva, destruição da ordem internacional" mencionada por Petter é o pano de fundo de toda essa trama. A ineficácia da ONU, a fragilidade da OMC e a crise da governança global são o palco para um líder que joga com as regras do improviso. A prometida reunião, que deve ocorrer por telefone, não será sobre anistia para Bolsonaro ou pautas ideológicas, mas sobre questões concretas, como a regulamentação das big techs e o acesso a minerais críticos.
E é aí que mora o perigo.
O Brasil, ao sentar à mesa, precisa entender que o jogo é complexo e que o outro lado não tem a previsibilidade da diplomacia tradicional. É como negociar com um bebê birrento. Pode ser que ele sorria e aceite a oferta, ou pode ser que ele decida jogar a papinha no chão e fazer um escândalo.
A cabeça de Trump é uma incógnita, e o Brasil precisa estar preparado para qualquer coisa, pois a única certeza é a incerteza.
Por: Alcina Reis







