Broncas, indiretas e microfones abaixados: os bastidores do julgamento
- porUOL
- 10 de Setembro / 2025
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O ministro Alexandre de Moraes durante quarto dia do julgamento no STF | Créditos: Foto: Evaristo Sa/AFP
O quarto dia do julgamento da trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal) teve bronca por uso de celular, microfones abaixados durante voto e indiretas. Com o placar de 2 a 0 pela condenação dos réus, a Primeira Turma do STF retomou hoje o julgamento com o voto do ministro Luiz Fux.
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Veja os bastidores do julgamento
Enquanto Fux profere o voto, os microfones de três ministros estão abaixados. Diferentemente do que vinha ocorrendo até então no julgamento, três ministros da Turma —Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia— começaram a sessão de hoje com os microfones abaixados, além de não estarem olhando para o colega, o que já indica que não devem mesmo se manifestar ao longo do voto de Fux. O único que não está com microfone abaixo é o presidente da Turma, ministro Cristiano Zanin.
Ontem, Fux deixou claro que não queria ser interrompido ao longo de seu voto. A reclamação foi feita após uma interrupção de Dino durante o voto de Moraes.
Seguranças do STF interromperam parlamentares usando o celular. O primeiro a ser abordado foi o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) que estava mexendo no celular e tinha se levantado. Uma segurança pediu para ele não levantar o aparelho, pois poderia parecer que estava tirando fotos, o que é proibido durante o julgamento. O segundo foi o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) que estava com o celular no ouvido e foi abordado por um segurança para avisar da proibição de fazer ligações dentro da sala.
Quem desrespeitar as regras do STF pode ser conduzido para fora da sala, o que não ocorreu até o momento. Durante a sessão, todos os presentes devem seguir as rigorosas regras do tribunal, que vedam manifestações de qualquer tipo, uso de celular e registro de imagens, seja fotos ou vídeos. Diante das regras, os seguranças ficam atentos até com as pessoas que levantam um pouco mais o celular, como foi o caso de Correia.
Fux faz voto recheado de indiretas a Moraes. Votando desde as 9h, o ministro fez inúmeras menções à importância do papel do juiz, à necessidade dele ser "equidistante" das partes e lembrou que o STF serve de referência para o Judiciário de todo o país. Segundo a colunista do UOL Thais Bilenky, olhou para Moraes, relator da ação, ao dizer: "Estou evitando citar nomes dos colegas, acho desconfortável e deselegante". Ele votou para anular o processo contra Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados. Por ora, o placar é de 2 a 0 (votos de Moraes e Dino) em prol da condenação.
Ao citar "pedido de vista", Fux assustou a plateia e arrancou uma risada de Moraes. Durante o voto, ministro citou um precedente para justificar seu argumento e disse que passou a pedir vista (mais tempo para analisar a ação) e aceitar recursos para proferir decisões com mais argumentos. No momento em que disse "eu estou pedindo vista", a plateia reagiu com susto. Parlamentares começaram a perguntar uns aos outros se ele tinha pedido vista da ação da trama golpista. Neste momento, Moraes começou a rir e, olhando para a plateia, balançou a cabeça fazendo "não".
Participaram desta cobertura
Ana Paula Bimbati, Anna Satie, Bruno Luiz e Eduarda Esteves, do UOL, em São Paulo
Mateus Coutinho, Lucas Borges Teixeira e Leticia Casado, do UOL, em Brasília






