Brasil terá delegacia da Polícia Federal na Bolívia para reforçar combate ao crime organizado na fronteira


Em uma medida voltada ao fortalecimento da segurança nas regiões fronteiriças, os governos do Brasil e da Bolívia acertaram a criação de uma estrutura permanente de cooperação policial. A iniciativa prevê a instalação de um escritório da Polícia Federal brasileira em solo boliviano, além do envio de representantes da Polícia Boliviana para atuar no Brasil.

O arranjo institucional busca estabelecer um canal direto e contínuo para o compartilhamento de dados estratégicos, ações integradas de inteligência e suporte logístico. A meta central é intensificar o combate às redes de narcotráfico e às organizações criminosas que operam na faixa de fronteira entre os dois países.

Origem do acordo e cronograma de implementação

A cooperação é desdobramento de entendimentos bilaterais firmados durante encontro realizado em abril entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente boliviano, Rodrigo Paz.

De acordo com o Ministério do Governo da Bolívia, os primeiros procedimentos operacionais para a viabilização da sede da Polícia Federal no país vizinho devem ser iniciados nas próximas duas semanas, período em que também serão estruturados os fluxos de trabalho e os protocolos de intercâmbio de dados entre as corporações.

Lançamento do plano "Fronteiras Seguras"

Paralelamente à presença policial brasileira, a Bolívia prevê implementar o programa "Fronteiras Seguras". A ação estratégica pretende aumentar a fiscalização e a repressão ao tráfico de entorpecentes e de armamentos pesados em municípios considerados cruciais para a logística de grupos armados, como Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez.

Essas localidades funcionam como pontos-chave para a movimentação transnacional de drogas. O plano prevê batidas e fiscalizações conjuntas para conter a livre circulação de integrantes de facções e desarticular rotas clandestinas.

Cenário de violência e atuação de facções

O reforço no patrulhamento e na cooperação ocorre em meio à elevação dos índices de violência no departamento boliviano de Santa Cruz. A escalada de homicídios na região envolve disputas entre grandes facções sul-americanas — entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) —, que disputam a hegemonia dos corredores de distribuição de drogas com destino ao mercado brasileiro e internacional.

Recentemente, o assassinato de um subtenente da Polícia Boliviana após investigações no município de San Matías, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul, levou as autoridades locais a destacarem um contingente de mais de 200 policiais para reforçar a segurança em áreas críticas do departamento.

A efetividade de operações conjuntas já vem registrando resultados operacionais na região, a exemplo da recente prisão de um homem investigado por liderar articulações do crime organizado transnacional. A nova estrutura binacional visa consolidar essa abordagem preventiva e repressiva ao longo de toda a extensão fronteiriça.

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