Brasil encerra 2025 com estabilidade nos índices de feminicídio; Mato Grosso do Sul registra alta e supera números de 2024

| Créditos: Joédson Alves/Agência Brasil


O balanço da segurança pública no Brasil ao final de 2025 aponta para um cenário de persistência nos crimes de feminicídio. Com mais de 1.300 casos registrados em todo o território nacional, o país mantém a média de períodos anteriores. No entanto, o recorte regional revela estados em situação crítica, como Mato Grosso do Sul, onde os indicadores oficiais de letalidade feminina apresentaram crescimento.

Destaque: Mato Grosso do Sul supera marcas anteriores

De acordo com dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), Mato Grosso do Sul registrou, até meados de dezembro de 2025, um total de 37 feminicídios consumados. Este número já supera o total acumulado em 2024, quando o estado contabilizou 30 mortes.

O mês de novembro foi identificado como o mais letal para as mulheres no estado em 2025, com seis casos registrados em um intervalo de apenas 24 dias. Em termos proporcionais, Mato Grosso do Sul figura entre as cinco maiores taxas de feminicídio do país, com um índice de aproximadamente 13,8 casos por 100 mil mulheres, segundo o Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem).

Panorama nas Capitais e Interior

Campo Grande: A capital sul-mato-grossense apresentou uma leve redução em comparação ao ano anterior, registrando 7 casos até dezembro, contra os 11 computados em 2024. A queda é atribuída, em parte, à implementação de novas ferramentas tecnológicas, como aplicativos de monitoramento para mulheres com medidas protetivas.

São Paulo: No Sudeste, a capital paulista encerra o ano com sua maior estatística desde 2018, reforçando que, embora algumas capitais consigam reduzir danos, o cenário estadual permanece desafiador.

Canais de Denúncia e Resposta Institucional

O aumento de 20% nas chamadas para o Ligue 180 em nível nacional também foi observado em Mato Grosso do Sul. Somente nos primeiros meses do ano, quase 3 mil mulheres buscaram a polícia no estado para relatar episódios de violência doméstica, uma média de 56 atendimentos por dia.

Especialistas apontam que, em MS, a maioria dos crimes ocorre dentro da residência das vítimas e é praticada por parceiros ou ex-parceiros. Um dado alarmante das investigações em 2025 é a reincidência: casos como o ocorrido em Campo Grande no mês de outubro revelaram agressores que já possuíam mandados de prisão em aberto por feminicídios cometidos em outros estados.

Medidas de Prevenção

Para enfrentar a alta nos índices, o governo de Mato Grosso do Sul intensificou as ações do "Agosto Lilás" e expandiu o uso do dispositivo "Botão do Pânico". Atualmente, cerca de 400 mulheres estão integradas ao sistema de monitoramento direto em Campo Grande. O desafio das autoridades para 2026 concentra-se na interiorização dessas redes de proteção, visto que cidades menores, como Bataguassu e Rochedo, também registraram ocorrências graves ao longo de 2025.


Fontes: Sejusp-MS, Monitor da Violência Contra a Mulher (TJMS/Sejusp), Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem/UEL) e dados consolidados do Ministério da Justiça.

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