Bolívia decreta estado de emergência nacional diante de bloqueios em rodovias

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O governo da Bolívia oficializou a aplicação do estado de emergência em todo o território do país. A medida foi anunciada pelo presidente Rodrigo Paz em pronunciamento em rede nacional e tem como objetivo desobstruir as principais rotas rodoviárias do país, afetadas por interrupções no fluxo que se estendem há mais de 50 dias.

De acordo com as autoridades, a determinação foca no restabelecimento da circulação e não visa restringir as liberdades individuais da população. O decreto presidencial veta ações que resultem no fechamento de vias públicas, avenidas e estradas estruturais que prejudiquem a logística nacional e prevê a atuação temporária das Forças Armadas para prestar suporte à polícia na segurança das vias e na garantia do livre trânsito.

O bloqueio contínuo gerou dificuldades severas na cadeia de suprimentos, impactando diretamente o estoque de combustíveis — com caminhões-tanque retidos nas estradas —, além de provocar a escassez de alimentos e de insumos essenciais, como oxigênio hospitalar. Dados oficiais indicam que o país contabiliza mais de 40 pontos de interrupção nas estradas, com reflexos mais severos na região administrativa de La Paz e na cidade vizinha de El Alto.

Órgãos de defesa dos direitos humanos apontam que o cenário de paralisações já provocou 17 mortes civis, em grande parte causadas pelo impedimento do acesso a atendimentos médicos emergenciais devido aos cercos viários.

A vigência da medida excepcional pode alcançar o período de até 90 dias. No entanto, o Executivo sinalizou que o dispositivo poderá ser revogado antecipadamente caso as manifestações nas estradas e as situações de insegurança cessem. O texto regulatório assegura a continuidade dos processos legais previstos na Constituição e permite a manutenção das atividades cotidianas e laborais dos cidadãos.

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