Aumento de apreensões de fetos de lhamas na fronteira com Bolívia preocupa autoridades brasileiras
- porRedação
- 28 de Julho / 2025
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Fetos de lhamas mumificados ou empalhados, considerados sagrados na Bolívia, têm sido apreendidos com frequência na fronteira brasileira. Desde 2024, mais de 400 foram interceptados, gerando alerta sanitário. Em apenas sete dias deste ano, 175 foram incinerados após serem encontrados em ônibus com destino a São Paulo.
Segundo a Receita Federal, os produtos são contrabandeados por estrangeiros e destinados ao comércio esotérico paulista, onde podem valer até R$ 500 cada. Antes de 2024, não há registros de apreensões.
Risco sanitário e incineração
O Ministério da Agricultura (Mapa) alerta que a entrada irregular desses materiais representa perigo à saúde pública e ao agronegócio. "Eles podem carregar patógenos como febre aftosa e brucelose", explica Clovis Baseggio, auditor fiscal agropecuário. Os fetos são incinerados imediatamente após a apreensão.
Uso ritualístico na Bolívia
Na cultura boliviana, os fetos de lhama são oferecidos à Pachamama, divindade associada à terra e fertilidade. "São vistos como uma força vital, usados em rituais de gratidão por saúde e prosperidade", explica Alyson Matheus de Souza, antropólogo pesquisador da região. Os fetos são retirados de fêmeas que morreram naturalmente ou foram abatidas para consumo.
Rota de contrabando
Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia, é ponto estratégico para o tráfico de mercadorias ilegais. A Receita Federal reforça que, além de fetos de lhamas, a região é rota para drogas e outros contrabandos. Apesar das apreensões, não há investigação formal sobre a rede de distribuição no Brasil.
Proteção sanitária
O Mapa atua em parceria com a Anvisa, Polícia Federal e Receita para barrar a entrada de produtos irregulares. Sem acordos internacionais para a importação desses itens, a prática é considerada ilegal e de alto risco.
(Fonte: g1)






