“A Ira do Pollon-show”

| Créditos: Reprodução/Redes Sociais


A manifestação do último domingo, 3 de agosto, em Campo Grande, teve todos os elementos de um típico ato político em tempos de polarização: cartazes, bandeiras, gritos por liberdade, críticas ao STF e apelos por anistia a Bolsonaro. Mas o momento que fez a multidão prender a respiração — e a internet explodir — foi o discurso inflamado de Marcos Pollon.

Antes mesmo de segurar o microfone, Pollon já havia feito barulho. Denunciou que fora barrado três vezes de subir no carro de som. E como todo bom incendiário da política sabe: quanto mais se tenta apagar uma voz, maior o estrondo quando ela ecoa. Quando finalmente subiu, não discursou — vociferou. Tremeu de raiva, transbordou indignação e, com palavrões em sequência, apontou a metralhadora verbal para o ex-governador Reinaldo Azambuja, agora figura de peso no PL.

“Canalhas!”, gritou. “Eu quero é que se f…”, disparou. Palavras que, se por um lado arrancaram aplausos entusiasmados dos radicais, por outro causaram incômodo até em simpatizantes. Afinal, entre a franqueza e a grosseria, a linha é tão tênue quanto a paciência de uma plateia cansada de promessas e encenações.

O “Pollon-show” dividiu a Direita sul-mato-grossense. De um lado, os que viram coragem em desafiar o “sistema”; de outro, os que enxergaram descontrole e falta de compostura. 

Pollon não é novato em polêmicas. Nos bastidores, o desgaste já era latente desde que ele rompeu com a nova cúpula do PL em 2024, recusando-se a seguir o comando de Tenente Portela e, pior para a harmonia partidária, recusando-se a apoiar o tucano Beto Pereira. O preço veio rápido: perda de espaço e especulações sobre seu futuro político.

O discurso, claro, viralizou. E com ele, as perguntas: Foi um ato de coragem ou de descontrole? Um grito legítimo contra as maquinações partidárias ou um show pirotécnico de mágoas pessoais?

Uma coisa é certa: Pollon sabe que, na política, às vezes vale mais ser falado — mesmo que mal falado — do que ignorado. E agora, resta saber se essa estratégia o levará de volta ao centro do jogo ou se será o último ato de um político que trocou o tabuleiro pelo holofote do caos.

E você, o que achou?

Por Alcina Reis

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