A Ilustre e Não Oficial Semiótica do “Saco Cheio”
- porPor Alcina Reis
- 10 de Outubro / 2026
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Convenhamos: existe a Semana do Saco Cheio para estudantes, certo? Aquele recesso abençoado em outubro onde o pessoal simplesmente decide ignorar a existência de livros e provas. Mas eu pergunto com todo o deboche que cabe neste peito: e o resto da humanidade? Quantas pessoas por aí não estão absolutamente surtadas, no limite da sanidade, e deveriam ter o direito constitucional a uma folga oficial por puro e simples esgotamento existencial?
Porque se a gente for listar o que realmente enche o saco nesta vida, a lista deixa qualquer fila de banco no começo do mês parecendo brincadeira. Mas nada — absolutamente nada — supera a clássica, a insuperável, a podre arte da mentira e da palavra não cumprida.
Sabe como funciona, né? O indivíduo enche o peito, te olha nos olhos e te dá "a palavra". A partir daquele segundo, você, inocente e funcional, passa a contar com aquilo. Ajusta sua rotina, faz planos, e tem gente que até se compromete financeiramente ou emocionalmente baseada na promessa do bonito. E o que o tal "dono da palavra" faz? Vai empurrando com a barriga. Dá uma desculpa esfarrapada hoje, morde o rabo amanhã, e dane-se você que acreditou porque quis! A culpa, na cabeça do ser humano sem espinha dorsal, passa a ser sua por ter tido a ousadia de confiar nele. É um malabarismo mental de dar inveja a circo internacional.
Agora, sejamos honestos: quando você passa por situações assim vez ou outra, vá lá, é tropeço da vida, ossos do ofício de conviver com gente. Mas quando isso persiste há mais de quinze anos... ah, meu amigo, aí não tem desculpa. Você merece o troféu de trouxa do século, com direito a faixa, confete e holofote! Afinal, já passou da hora de aprender a regra de ouro das relações humanas: lealdade e fidelidade só se dá a quem retribui.
Se a reciprocidade não veio em quinze anos, ela não vai chegar na próxima terça-feira. Portanto, feche a fábrica de dar chances, pegue seu troféu de trouxa, aposente-o com honras e decrete, por conta própria, a sua eterna e inegociável Semana do Saco Cheio.
Por Alcina Reis






