“A Estadista que Pensa no Brasil X Birrento”

| Créditos: Reprodução


A senadora Tereza Cristina (PP-MS) jogou luz na coerência política ao falar sobre as eleições presidenciais, e a reação imediata do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) só reforçou a diferença de prioridades entre os dois.

Com um discurso de estadista, a ex-ministra da Agricultura foi direta e pragmática: o foco deve ser a viabilidade e a união contra o atual governo. "Não adianta colocar alguém que não tenha viabilidade", cravou Tereza Cristina, citando nomes com potencial nas pesquisas (Tarcísio de Freitas, Ratinho Junior e Michelle Bolsonaro). Sua postura, que enxerga o país à frente dos projetos pessoais, a coloca como um grande nome, inclusive, para compor uma chapa como vice-presidente, dada sua capacidade de diálogo e visão.

O desinteressado pelo bem comum, no entanto, não perdeu tempo. Eduardo Bolsonaro, de seu exílio voluntário nos EUA, ficou ofendido por não ser citado na lista de "viáveis" e, numa patada nas redes sociais, insinuou que Tereza Cristina só defende o "interesse pessoal" e os "grandes capitais".

A briga escancara a real intenção de Dudu: ele não está preocupado em vencer o PT ou unir a direita. Ele está preocupado em manter o projeto familiar vivo.

Com o patriarca inelegível, o plano é claro: transformar o sobrenome em um passe livre para a Presidência, garantindo a reeleição de todos os filhos, e o país que se dane. Eduardo, que "deu grandes saltos na política, graças a [sua] família", não aceita ser carta fora do baralho. A preocupação de Eduardo, inclusive ao rebater o presidente do seu próprio partido, Ciro Nogueira, é unicamente com seu "plano pessoal".

A senadora, por outro lado, mantém a cabeça fria e os pés no chão, buscando um nome que realmente tenha chances de "dar certo". Já o deputado, em outro continente, continua jogando o xadrez para reverter o tabuleiro a seu favor – ou, no mínimo, garantir o sustento e o status da prole, pouco se importando com o prejuízo gigantesco que sua "birra" causa à oposição. 

Para Tereza Cristina, o Brasil; para Eduardo Bolsonaro, o próprio umbigo.

Por Alcina Reis

Compartilhe: