2025: O Ano em que o Caráter foi o Nosso Único Abrigo

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Olhar pelo retrovisor de 2025 é confrontar uma realidade crua. Este foi o ano em que o "desmazelo" deixou de ser uma suspeita para se tornar uma evidência dolorosa em nossos tribunais e instituições. Mas foi também o ano em que a voz individual e a integridade pessoal provaram ser os últimos bastões de resistência contra a barbárie.

A Anatomia da Covardia: O Grito dos Silenciados

O que mais me custou escrever foram as crônicas da violência gratuita. Vi o feminicídio ser tratado por muitos como estatística, mas para mim, cada vida interrompida em Mato Grosso do Sul foi um luto pessoal. Escrevi sobre mulheres que, mesmo com o Estado avisado, foram caçadas por homens que não aceitam o "não". Denunciei a fragilidade das medidas protetivas que, sem fiscalização braçal, são apenas promessas vazias impressas em papel sulfite.

A covardia, porém, estendeu seus tentáculos. Meus editoriais em 2025 foram trincheiras em defesa dos nossos idosos, frequentemente descartados pela família ou explorados por um sistema financeiro predatório que lhes rouba a paz na última etapa da vida. Levantei a voz pelas nossas crianças, as vítimas mais puras de uma estrutura doméstica muitas vezes doente, onde o abuso se esconde atrás do silêncio das paredes. E não esqueci dos animais — seres sencientes que continuam sofrendo o flagelo do abandono e da crueldade sem que as leis de maus-tratos tenham a severidade necessária para frear os monstros que os maltratam.

O Desmazelo Institucional e a Roda-Gigante do Poder

No campo político e jurídico, 2025 foi o ano do escárnio. Como calar diante da prescrição de crimes de facções organizadas após uma década de inércia do Estado? É o que chamei de "justiça de conveniência". Enquanto isso, o cidadão comum — o pagador de impostos — continua sendo esmagado por uma carga tributária que sustenta luxos em Brasília e em gabinetes locais.

Critiquei abertamente o "vício do poder". Vi gente se deslumbrar com cargos, esquecendo que a vida é uma roda-gigante: hoje você humilha com a caneta na mão, amanhã você é apenas mais um na fila da história. Reiterei que o cargo é efêmero, mas o rastro que você deixa — o caráter — é o que define o seu nome na eternidade.

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A Lição do Ano: Pensar com a Própria Cabeça

Apesar das sombras, 2025 nos trouxe um despertar necessário. Meu mantra de que "quem vai pela cabeça dos outros é piolho" nunca foi tão atual. Em um mundo de algoritmos e manadas digitais, vi pessoas retomando a autonomia do pensamento, questionando a autoridade pela autoridade e exigindo transparência.

O que vivemos de "bom" não veio de decretos governamentais, mas da resiliência do povo. Veio da vizinha que denunciou a agressão ao lado, do jovem que protegeu o animal ferido, e do eleitor que não aceitou a narrativa pronta.

Conclusão: A Pena Segue Afiada

Encerro este ano com a consciência de quem não se omitiu. 2025 nos mostrou que a dignidade humana é um território que precisa ser conquistado e defendido todos os dias. Que em 2026 possamos ser menos "números" no sistema e mais humanos na prática. 

Minha promessa continua: enquanto houver desmazelo, haverá a minha crítica. Enquanto houver injustiça contra mulheres, crianças, idosos e animais, haverá a minha voz.


Por Alcina Reis Editorialista do Conteúdo MS

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