Ventos de 25 mil km/h em planetas distantes podem ajudar a encontrar vida fora da Terra
- porR7
- 06 de Junho / 2026
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Imagem criada por um artista de um exoplaneta com campo magnético | Créditos: M. Kornmesser e L. Calçada/ESO
Astrônomos encontraram o que consideram a evidência mais forte até agora de que planetas fora do Sistema Solar possuem campos magnéticos. A descoberta pode representar um avanço importante na busca por mundos capazes de manter água, atmosfera estável e, possivelmente, vida.
O estudo analisou sete exoplanetas gigantes gasosos semelhantes a Júpiter. Os pesquisadores utilizaram dados obtidos pelo Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, instalado no deserto do Atacama, no Chile, além do telescópio Gemini North, localizado no Havaí.
Os cientistas mediram os ventos atmosféricos desses planetas extremamente quentes. As velocidades registradas variaram de cerca de 7,2 mil km/h até mais de 25 mil km/h, aproximadamente 15 vezes mais rápidas do que as correntes de ar mais intensas observadas em Júpiter.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que esses ventos são influenciados diretamente por campos magnéticos planetários. A equipe afirma que esta é a primeira evidência robusta de magnetismo em planetas localizados além do Sistema Solar.
A autora principal do estudo, Julia Seidel, afirmou que a descoberta abre uma nova fase na pesquisa sobre exoplanetas. Segundo ela, agora será possível comparar os ambientes magnéticos de diferentes mundos distantes, algo considerado fundamental para entender quais planetas podem preservar suas atmosferas e manter condições favoráveis à vida.
Na Terra, o campo magnético desempenha um papel essencial para proteger a atmosfera contra partículas solares. Cientistas consideram esse mecanismo importante para a manutenção da água líquida e para a existência de vida. Outros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno, também possuem campos magnéticos intensos.
Apesar de anos de pesquisas sobre exoplanetas, os cientistas ainda não haviam conseguido medir diretamente a força desses campos magnéticos em mundos tão distantes.
Os planetas analisados têm um dos lados sempre voltado para a estrela em que orbitam, enquanto o outro fica permanentemente na escuridão.
Essa característica cria diferenças extremas de temperatura entre os dois lados do planeta. O lado iluminado apresenta calor intenso, enquanto o lado oposto registra temperaturas muito mais baixas. Esse contraste gera ventos atmosféricos extremamente rápidos.
Inicialmente, os pesquisadores queriam apenas verificar se os ventos desses planetas quentes se comportavam de maneira semelhante. No entanto, os dados revelaram um resultado inesperado: quanto mais quente era o planeta, mais lentos eram os ventos registrados.
O coautor do estudo, Vivien Parmentier, afirmou que a observação foi considerada contraintuitiva. Segundo ele, planetas mais quentes deveriam possuir mais energia disponível para acelerar os ventos atmosféricos.
A explicação mais provável encontrada pela equipe foi justamente a presença de campos magnéticos globais. Esses campos atuariam como uma espécie de “freio”, desacelerando partículas carregadas eletricamente e reduzindo a velocidade dos ventos.
Com base nesse efeito, os cientistas conseguiram estimar a intensidade dos campos magnéticos desses exoplanetas. Os valores calculados são comparáveis aos encontrados em planetas do próprio Sistema Solar.
Os pesquisadores estimam que alguns desses campos magnéticos sejam cerca de quatro vezes mais fortes do que o de Saturno e aproximadamente metade da intensidade do campo magnético de Júpiter.
Além de influenciar os ventos atmosféricos, os cientistas acreditam que esses campos magnéticos também possam provocar fenômenos semelhantes às auroras observadas na Terra, geradas pela interação entre partículas solares e a atmosfera do planeta.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Astronomy e é considerado um passo importante para compreender como funcionam os ambientes de planetas fora do Sistema Solar e quais deles poderiam, no futuro, apresentar condições adequadas para abrigar vida.






