Registro inédito de cervo negro no Pantanal confirma relatos antigos e amplia conhecimento científico

| Créditos: Foto: D. L. L. D. Santana


Um cervo-do-pantanal com pelagem escura, observado em Mato Grosso do Sul, tornou-se o primeiro caso cientificamente documentado de melanismo na espécie, fenômeno genético caracterizado pelo excesso de melanina, pigmento responsável pela coloração da pele e dos pelos. A descoberta foi apresentada em estudo publicado neste mês por pesquisadores que atuam no Pantanal e no Cerrado.

O registro ocorreu em fevereiro de 2021, quando uma fêmea adulta foi fotografada em uma área de conservação localizada no Pantanal sul-mato-grossense. Apesar de décadas de monitoramento da espécie na região, incluindo levantamentos populacionais e pesquisas de campo, nunca havia sido oficialmente documentado um exemplar com essa característica.

A confirmação científica dá respaldo a histórias contadas há gerações por moradores e trabalhadores do Pantanal, que relatavam a existência de “veados pretos” na região. Até então, esses relatos eram tratados apenas como parte do folclore local, sem comprovação formal.

Além do caso registrado em Mato Grosso do Sul, os pesquisadores identificaram outros exemplares melânicos em uma área de Cerrado localizada entre Minas Gerais e Bahia. Os registros indicam que o fenômeno pode ocorrer em diferentes populações da espécie, embora ainda seja considerado extremamente raro.

Os cientistas avaliam que fatores como isolamento populacional e redução de habitat podem influenciar a ocorrência da alteração genética em algumas regiões. No entanto, novas pesquisas serão necessárias para compreender as causas e os possíveis impactos do melanismo sobre a sobrevivência e a reprodução desses animais.

Considerado o maior cervídeo da América do Sul, o cervo-do-pantanal vive em áreas alagadas e enfrenta ameaças como perda de habitat, caça, incêndios e mudanças climáticas. A descoberta do raro exemplar de pelagem escura representa mais um avanço no conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e reforça a importância da conservação dos biomas onde a espécie ocorre.

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