
| Créditos: Portal Making of
A notícia caiu como um trovão entre a nata do funcionalismo sul-mato-grossense. Imagine só: limitar os salários a míseros R$ 46 mil? Uma afronta! Juízes, desembargadores, promotores, procuradores, a fina flor do serviço público, uniram-se num coro de protestos contra a proposta que ousa cortar as asinhas douradas dos seus contracheques.
"Penduricalhos", esses adereços tão queridos que enfeitam os holerites e elevam os rendimentos a cifras de fazer inveja a estrelas de cinema, estariam ameaçados. Afinal, quem abriria mão de receber mais de R$ 200 mil por mês, fruto do suor do seu... lobby?
As entidades representativas, ágeis como sempre, logo se manifestaram. Uma nota conjunta, solene e dramática, ecoou pelas redes sociais, prenunciando o apocalipse: aposentadorias em massa, cofres vazios, serviços públicos desmoronando. Um cenário digno de filme-catástrofe, caso a proposta ousasse passar.
Mas eis que surge um dado intrigante: nossos juízes e desembargadores, tão dedicados à justiça, são os campeões em gastos. Custam mais que o dobro dos colegas alagoanos! Cada um deles, um peso-pesado no orçamento, consumindo a bagatela de R$ 120 mil por mês.
E a ameaça de novos concursos? Ora, no Ministério Público eles já são quase um evento anual! Em 45 anos, foram 30 seleções. Parece que o problema não está na falta de candidatos, mas na ânsia por mais cargos e, quem sabe, mais penduricalhos.
A proposta, ousada, visa controlar esses extras, limitando o poder dos tribunais de criar seus próprios paraísos fiscais. Mas, convenhamos, mexer com quem está no topo é como cutucar onça com vara curta. A briga está só começando, e promete capítulos dignos de uma novela das oito.
Resta saber quem vencerá essa queda de braço: o teto que limita ou os salários que tocam o céu.

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Arquivo pessoal






