Brasil 3 x 0 Haiti: a Seleção melhorou ou o adversário é que ajudou?

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Torcedor brasileiro sofre de um problema crônico: a memória curta e a esperança longa.

Na estreia da Copa, o empate deixou muita gente desconfiada. Teve quem dissesse que a camisa amarela tinha perdido o brilho, que o futebol arte virou futebol burocracia e que até o VAR parecia mais animado que a Seleção.

Aí veio o Haiti. O Brasil fez 3 a 0, assumiu a liderança do grupo e encaminhou a classificação.

Pronto. Bastaram 90 minutos para o país voltar ao seu estado natural de euforia.

Nas rodas de conversa já apareceu aquele especialista que decretou:
— Eu sempre acreditei no trabalho do Ancelotti!

Curiosamente, é o mesmo cidadão que dois dias antes estava pedindo a convocação do porteiro do prédio para jogar no meio-campo.

Mas a grande dúvida nacional continua.

O Brasil realmente melhorou?

Ou o Haiti é aquele amigo que você chama para jogar videogame só para recuperar a autoestima depois de perder dez partidas seguidas?

Os números mostram que a vitória foi convincente. Matheus Cunha desencantou, Vinícius Júnior brilhou e a Seleção controlou o jogo praticamente inteiro.

Só que o torcedor brasileiro é desconfiado. Afinal, ganhar do Haiti é quase uma obrigação histórica. Em 2016 foi 7 a 1. Agora foi 3 a 0. Se fosse uma prova de matemática, alguém já estaria perguntando:

— Ué... então piorou?

Enquanto isso, os comentaristas fazem contas mirabolantes.

"Se ganhar do Haiti por três, empatar com a Escócia, torcer para Marrocos perder, a lua entrar em Capricórnio e Mercúrio sair do retrocesso, o Brasil chega forte para o mata-mata."

E a torcida embarca.

Porque ser brasileiro é isso. Em uma semana a Seleção é candidata ao fracasso histórico. Na outra, já estamos pesquisando onde será o desfile do hexa.

No fundo, a vitória serviu para devolver uma coisa importante: a tranquilidade. Afinal, é muito melhor discutir se o Brasil jogou bem do que ficar calculando a combinação de resultados para não passar vergonha na fase de grupos.

Mas a crônica termina com uma pergunta que todo brasileiro está fazendo, ainda que escondido:

O Brasil venceu porque finalmente encontrou seu futebol ou porque o Haiti foi um adversário acessível?

E a mais importante de todas:

“Resta saber se a nossa Seleção vai conseguir sambar do mesmo jeito quando os escoceses entrarem em campo para engrossar o caldo.”

 

Por Alcina Reis

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