Surto de diarreia causado por parasita cresce; veja o que comer e o que evitar
- porR7
- 04 de Agosto / 2026
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Um grande surto de diarreia causado pelo parasita Cyclospora continua se expandindo, e duas mortes já foram associadas à doença. Diante da ameaça de sintomas que podem durar semanas, é natural perguntar: ainda existe algo seguro para consumir na seção de hortifrúti dos supermercados?
Autoridades de saúde dos Estados Unidos afirmam estar investigando vários grupos de casos de ciclosporíase, e eles podem não ter uma fonte comum. O estado de Michigan registrou mais de 11 mil casos, e autoridades locais disseram que alface e folhas verdes podem ser uma possível origem do surto, que já alcançou nove estados.
Em meados de julho, a empresa Taylor Fresh Foods informou que retirou do mercado americano toda a sua produção de alface iceberg proveniente do centro do México. Os produtos haviam sido enviados para restaurantes, empresas de alimentação e algumas redes de supermercados em 27 estados.
“No entanto, outros alimentos não podem ser completamente descartados. Nenhum tipo específico de produto agrícola, produtor ou fornecedor foi identificado como a fonte”, informaram as autoridades de Michigan.
“Temos motivos para continuar preocupados com o risco que as pessoas enfrentam em relação à ciclosporíase, e ainda não estamos fora de perigo”, disse na terça-feira o Dr. Bruce Vanderhoff, diretor do Departamento de Saúde de Ohio, um dos estados afetados pelo surto.
“Precisamos apenas tomar algumas medidas extras para proteger nossa saúde. Entre elas estão lavar cuidadosamente todas as frutas e verduras em água corrente, esfregar itens mais firmes, como melões, com uma escova própria para vegetais e refrigerá-los rapidamente”, afirmou.
“Na hora de comprar alface, dê preferência às cabeças inteiras, descarte as folhas externas e lave bem as folhas internas. Cozinhar frutas e vegetais a pelo menos 70°C (158°F), quando possível, pode ajudar a eliminar o organismo. Também é importante lavar as mãos com água e sabão antes e depois de preparar ou consumir alimentos.”
Autoridades federais de saúde também reforçam a importância de acompanhar alertas sanitários e seguir práticas padrão de segurança alimentar ao lavar alimentos.
“O Cyclospora é um organismo muito interessante. É um parasita que historicamente já esteve ligado a surtos, geralmente transmitidos por alimentos”, explicou o Dr. Nuwan Gunawardhana, epidemiologista hospitalar e especialista em doenças infecciosas da Universidade Columbia.
“Ele não é considerado contagioso de pessoa para pessoa. Quando falamos de surtos alimentares envolvendo Cyclospora, trata-se de um organismo muito resistente, capaz de aderir com facilidade às superfícies de frutas e vegetais frescos”, acrescentou.
Quem corre mais risco?
A ciclosporíase é uma doença intestinal causada pelo parasita microscópico Cyclospora. Os sintomas costumam surgir entre dois dias e duas semanas após a exposição e incluem:
- Diarreia aquosa prolongada;
- Cólicas abdominais;
- Náusea;
- Cansaço;
- Perda de apetite;
- Perda de peso.
Embora a infecção possa ser tratada com antibióticos específicos, a doença pode durar semanas se não receber tratamento e levar à desidratação.
Duas pessoas morreram em Michigan em conexão com o surto. Ambas apresentavam “condições de saúde pré-existentes significativas”, que podem ter sido agravadas pela ciclosporíase e pela desidratação, segundo autoridades locais.
“Os grupos de maior risco são crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas”, disse o Dr. Dan Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do Beth Israel Deaconess Medical Center.
“Na maioria das outras pessoas saudáveis, a doença costuma ser leve. Embora faça sentido tomar precauções, especialmente para quem está nos grupos de risco, não há motivo para pânico neste momento”, acrescentou.
Alimentos a evitar
Ao comprar alface ou outras folhas verdes, especialistas recomendam evitar produtos pré-cortados ou embalados e optar por vegetais inteiros, porque costumam passar por menos manipulação.
Misturas de saladas prontas vendidas em sacos já foram associadas a surtos anteriores de Cyclospora nos Estados Unidos e no Canadá, segundo autoridades de Michigan.
“Provavelmente é uma boa ideia evitar, por enquanto, produtos de alface embalados e misturas de salada prontas. Se forem consumidos, devem ser lavados novamente em casa, mesmo quando o rótulo indicar que já foram higienizados, porque a origem exata do surto ainda não foi identificada”, disse Barouch.
Em surtos anteriores, os seguintes produtos já foram associados ao parasita:
- Framboesas;
- Manjericão;
- Misturas de saladas;
- Bandejas de vegetais;
- Salada coleslaw;
- Coentro;
- Misturas de frutas vermelhas;
- Alface;
- Ervilha-torta.
Também é recomendado evitar frutas e verduras machucadas, danificadas ou com sinais de mofo.
Enquanto o surto continuar, pessoas com sistema imunológico enfraquecido “talvez devam evitar completamente produtos frescos até que a fonte seja identificada”, afirmou Gunawardhana.
Alimentos recomendados
Especialistas destacam que frutas e verduras inteiras não devem ser totalmente excluídas da dieta, já que continuam sendo parte importante de uma alimentação saudável.
Autoridades de Michigan seguem recomendando a compra de alface em cabeça inteira. Também orientam descartar as duas ou três camadas mais externas e lavar cuidadosamente as folhas internas antes do consumo.
“Se você estiver consumindo produtos que podem ser descascados, essa é uma forma muito eficaz de evitar a ingestão desses organismos, porque ao remover a casca você elimina também as superfícies contaminadas”, explicou Gunawardhana.
A forma errada de lavar alimentos
Lavar corretamente frutas e verduras ajuda a reduzir o risco de diversas doenças transmitidas por alimentos, mas especialistas alertam que não se deve utilizar sabão, água sanitária ou produtos de limpeza domésticos, pois eles não são destinados a alimentos e podem deixar resíduos nocivos.
“Evite sabões, detergentes ou qualquer aditivo que não seja próprio para consumo. Sanitizantes diluídos não são eficazes contra protozoários como o Cyclospora e podem causar mais prejuízos do que benefícios”, afirmou Don Stoeckel, microbiologista ambiental e integrante da Produce Safety Alliance.
Gunawardhana também informou que o uso de cloro não é recomendado.
“Muitas pessoas acreditam que pastilhas de cloro podem ajudar, mas o Cyclospora é altamente resistente ao cloro”, explicou.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), “a desinfecção química pode não eliminar completamente o Cyclospora. É importante lavar bem os alimentos mesmo quando o rótulo indicar que eles já foram higienizados”.
A forma correta de lavar alimentos
Gunawardhana recomenda três passos para higienizar adequadamente frutas e verduras:
Lavar as mãos com água e sabão;
Lavar os alimentos em água corrente limpa;
Esfregar ou escovar itens mais firmes, como pepinos, melões e batatas.
“Isso não elimina o risco totalmente, mas pode ajudar”, afirmou.
Especialistas alertam que a lavagem isoladamente não garante a remoção completa do Cyclospora, especialmente em folhas verdes, ervas e frutas delicadas.
Entretanto, autoridades de Michigan afirmam que a higienização “aumenta a proteção quando combinada ao cozimento ou à remoção da casca”.
Priorize alimentos cozidos
Enquanto o surto continua, especialistas recomendam priorizar alimentos cozidos. Segundo o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan, cozinhar os alimentos a 70°C ou mais elimina o Cyclospora.
O calor destrói o parasita, tornando vegetais cozidos uma opção de menor risco do que produtos crus.
“A melhor maneira de evitar adoecer por esse organismo é cozinhar bem os alimentos”, afirmou Gunawardhana. “Levar o alimento a uma temperatura mínima de 70°C é a forma mais eficaz de eliminar o parasita.”
Especialistas em segurança alimentar também ressaltam a importância de evitar a contaminação cruzada na cozinha, mantendo frutas e verduras não lavadas separadas de alimentos prontos para consumo e de carnes, aves ou frutos do mar crus.
“O conselho é universal, não apenas durante surtos: sempre pratique uma boa higiene nas áreas de preparo dos alimentos”, destacou Stoeckel.
“Manter superfícies limpas e lavar as mãos ajuda a evitar a contaminação entre alimentos. Cozinhar adequadamente elimina patógenos antes do consumo. Já a lavagem e, em alguns casos, o descascamento reduzem o risco, mas não removem completamente todos os contaminantes da superfície dos alimentos frescos.”






