Qual a condição genética rara que fez bezerro nascer com duas cabeças em SC: ‘Caso curioso’

O bezerro com duas cabeças nasceu na propriedade do agricultor aposentado Victorino Caglione, de 80 anos | Créditos: Foto: Arquivo pessoal/ND


O nascimento de um bezerro com duas cabeças surpreendeu moradores da pequena cidade de Belmonte, no Extremo-Oeste catarinense. O animal, que nasceu na propriedade do agricultor aposentado Victorino Caglione, de 80 anos, apresenta uma condição genética extremamente rara conhecida como diprosopia, conforme explicou o biólogo, mestre e doutor em Biologia, Jackson Preuss.

O que é a diprosopia?

Segundo Preuss, a diprosopia é caracterizada pela duplicação parcial ou completa das estruturas da face, causada por uma alteração no gene SEHH. “Esse gene acaba mandando sinais em excesso, o que leva à duplicação dessas estruturas. Muitas vezes, até nervos também são duplicados, o que dificulta a sobrevivência desses animais na natureza”, afirmou.

Segundo o especialista, o fenômeno pode estar associado a fatores como deficiência de vitaminas, uso de certos medicamentos ou ausência de proteínas essenciais no desenvolvimento do feto. “É um caso realmente curioso, e exames clínicos e genéticos vão ajudar a entender melhor essa alteração rara”, destacou.

Nascimento de bezerro com duas cabeças

O agricultor Caglione contou que percebeu algo incomum já no primeiro contato com o bezerro. “Eu vi que a vaca tinha criado e ele estava deitado. Eu virava para um lado e ele me olhava, virava para o outro e continuava me olhando. Falei: não está certo isso. Daí fui ver que tinha duas cabeças”, relatou.

Com a ajuda de um cavalo, ele levou o animal até outro espaço para mostrar à família, que registrou o momento em fotos. O caso logo se espalhou pela comunidade de linha São Jorge e mobilizou os moradores da cidade de pouco mais de 2,6 mil habitantes.

Acompanhamento veterinário

Devido à condição rara, o bezerro foi encaminhado para a clínica veterinária da Unoesc, em São Miguel do Oeste. Lá, passará por exames de imagem e outras avaliações para compreender melhor seu desenvolvimento.

“Esse animal será avaliado não só clinicamente, mas também do ponto de vista genético, para ampliar o entendimento sobre esse tipo de alteração”, acrescentou Preuss.

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