O que é fact-checking e por que a prática é reivindicada em debates na TV
- porMetrópoles
- 21 de Outubro / 2026
- Leitura: em 7 segundos

| Créditos: Foto: G1
A possibilidade de checar em tempo real as declarações dos candidatos à Presidência ganhou força no segundo turno das eleições de 2026. Após as sabatinas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na TV Globo, e do debate da Band, no último domingo (18/10), internautas e profissionais da imprensa passaram a cobrar a adoção da medida nos próximos encontros entre os presidenciáveis.
Na internet, uma petição no site Change.org já ultrapassou 700 mil assinaturas em defesa da checagem em tempo real no próximo debate da Globo entre os presidenciáveis, marcado para esta sexta-feira (23/10). Especialistas ouvidos pelo Metrópoles, no entanto, afirmam que as dificuldades para implementar a medida vão muito além da capacidade técnica das emissoras.
O que é a checagem de fatos?
A verificação da veracidade de declarações, pronunciamentos e notícias sempre fez parte do trabalho jornalístico. Ao Metrópoles, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) Rafiza Varão explica que o crescimento da internet e das redes sociais ampliou a necessidade de verificar as informações que circulam no ambiente virtual.
A checagem de fatos como prática especializada, realizada por agências independentes, ganhou força há quase duas décadas, impulsionada pela expansão da internet e das mídias sociais.
“Com a participação mais intensa do público nas discussões políticas nos meios de comunicação digitais e com o avanço dos ecossistemas de desinformação, as agências de checagem surgem da necessidade de averiguar se fatos compartilhados on-line são verídicos ou não”, explica.
No Brasil e no mundo, há diferentes agências de checagem, vinculadas a organizações jornalísticas ou independentes. Independentemente de sua estrutura, o trabalho consiste em confrontar declarações e informações que circulam publicamente com dados e documentos confiáveis.
“O checador de fatos não é nada além de uma pessoa que escuta o que tá sendo dito e contrasta essa informação com bancos de dados públicos de confiança”, afirma Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, ao Metrópoles.
“Nós pegamos a informação que já está circulando, que foi dita, está sendo compartilhada e viralizando, e contrastamos com bancos de dados que são independentes e confiáveis, e aplicamos uma etiqueta sobre a veracidade daquele conteúdo”, explica.
A checagem de fatos no debate eleitoral
Para Cristina Tardáguila, os desafios para implementar a checagem de fatos ao vivo durante debates eleitorais e sabatinas vão além da estrutura das emissoras. “O que existem são barreiras de ordem política, econômica e jurídica que atrapalham que isso aconteça”, afirma
“A gente já pensou em um letreiro passando no pé da tela, já pensou em uma entrada entre blocos de debate, já pensou um bloco de resumo logo após o debate ser feito e nada nunca vinga”, conta.
Além da resistência dos candidatos e de suas campanhas, a jornalista explica que mudanças na dinâmica dos debates geram insegurança jurídica para organizadores e patrocinadores.
“Os candidatos não querem, as campanhas não querem, os patrocinadores não querem, os organizadores do debate têm medo. E, óbvio, ainda tem a questão da isonomia de tempo, né, que é uma exigência da lei eleitoral”, exemplifica.






