O Preço do Futuro

| Créditos: Foto: Bruno Rezende


As flores da primavera continuam colorindo praças, jardins e quintais de Mato Grosso do Sul. A natureza insiste em nos lembrar de sua beleza. Mas, ao mesmo tempo, o calor extremo, as secas prolongadas, os temporais violentos e os incêndios mostram outra face da mesma realidade: a conta da crise climática já chegou e está sendo cobrada de todos nós.

Nos últimos anos, os sul-mato-grossenses aprenderam a conviver com temperaturas acima dos 40 graus, sensação térmica sufocante, longos períodos sem chuva e eventos climáticos cada vez mais intensos. Especialistas alertam que Mato Grosso do Sul está entre as regiões que mais aquecem no planeta e que esses extremos tendem a se tornar mais frequentes.

Diante desse cenário, é fácil discutir números. Governos anunciam investimentos, empresas calculam prejuízos, produtores contabilizam perdas e consumidores sentem os aumentos de preços. Tudo isso é importante. Mas existe algo que nenhuma planilha consegue medir.

Qual é o valor de uma noite de sono sem o calor insuportável?

Quanto custa uma árvore que faz sombra em uma praça?

Qual o preço de um rio limpo, de um Pantanal preservado ou de uma chuva que chega na hora certa?

Não existe orçamento público, conta bancária ou fortuna capaz de comprar o bem-estar coletivo quando a qualidade de vida começa a desaparecer.

As autoridades têm a responsabilidade de planejar cidades mais resilientes, investir em prevenção, fortalecer a Defesa Civil, ampliar áreas verdes e tratar a questão climática como prioridade permanente, não apenas durante as emergências.

Mas a responsabilidade não termina nos gabinetes.

Ela também está em cada cidadão que preserva uma árvore, evita queimadas, cuida da água, cobra políticas públicas e entende que meio ambiente não é assunto para amanhã. É assunto para hoje.

A verdade é simples: podemos recuperar estradas, reconstruir pontes, trocar postes, reformar prédios e até reerguer cidades. O que não se recupera facilmente é a saúde perdida, a vida interrompida, a infância passada sob fumaça ou o futuro comprometido pela omissão.

Entre flores e ondas de calor, Mato Grosso do Sul recebe um aviso silencioso da natureza. Ainda há tempo para agir. Mas é preciso compreender que não existe riqueza maior do que viver bem.

Porque, no fim das contas, não há dinheiro que pague o bem-estar de um povo inteiro. Nem hoje, nem para as próximas gerações.

 

Alcina Reis
Jornalista | Conteúdo MS

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