Novos critérios podem antecipar diagnóstico da esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença crônica do sistema nervoso central. | Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil


Avanços na avaliação médica e a atualização dos critérios internacionais de diagnóstico estão permitindo identificar casos de esclerose múltipla mais cedo. A mudança pode reduzir o período de espera entre os primeiros sintomas e o início do tratamento, especialmente em situações nas quais os exames já apresentam evidências características da doença.

A esclerose múltipla é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central e ocorre quando o sistema imunológico ataca a mielina, estrutura que protege as fibras nervosas. Entre os possíveis sintomas estão alterações na visão, formigamento, perda de força, desequilíbrio, dificuldade para caminhar e fadiga intensa. Como essas manifestações também podem ocorrer em outras doenças, a confirmação exige uma avaliação criteriosa.

Os chamados critérios de McDonald, utilizados internacionalmente para orientar o diagnóstico, foram revisados em 2024. Entre as mudanças estão o uso de informações mais detalhadas obtidas por ressonância magnética e a valorização de estruturas como o nervo óptico na identificação de sinais compatíveis com a doença.

A ressonância magnética também ganhou novas ferramentas de análise. O chamado sinal da veia central pode ajudar os especialistas a diferenciar lesões típicas da esclerose múltipla de alterações provocadas por outras condições.

Exames relacionados ao nervo óptico, como a tomografia de coerência óptica e os potenciais evocados visuais, também podem contribuir em casos específicos. A análise do líquor continua sendo importante, com as bandas oligoclonais entre os principais marcadores. As cadeias leves livres kappa passaram a ser consideradas uma ferramenta complementar na investigação.

Apesar da possibilidade de antecipar a identificação da doença, os novos critérios não significam que qualquer alteração neurológica ou encontrada em uma ressonância seja suficiente para confirmar esclerose múltipla. Enxaqueca, infecções, alterações vasculares e outras doenças podem apresentar características semelhantes, tornando necessária a avaliação de um especialista.

O diagnóstico mais rápido é considerado relevante porque o tratamento precoce pode reduzir a ocorrência de surtos, diminuir novas lesões no sistema nervoso e contribuir para preservar a capacidade funcional do paciente ao longo do tempo.

A atualização representa, portanto, uma tentativa de equilibrar dois objetivos: reconhecer a doença o quanto antes para possibilitar o tratamento e, ao mesmo tempo, evitar diagnósticos equivocados. A avaliação deve considerar conjuntamente sintomas, exames de imagem e resultados laboratoriais antes da confirmação.

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