MP-SP pede punições severas aos envolvidos no ataque da Mancha Verde contra torcedores do Cruzeiro

Medo de nova vingança faz MP pedir que jogo entre Cruzeiro e Palmeiras só tenha cruzeirenses | Créditos: Reprodução/Redes Sociais

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicita punições específicas aos envolvidos no ataque atribuído à torcida organizada Mancha Verde, do Palmeiras, contra membros da Máfia Azul, do Cruzeiro. O confronto ocorreu na madrugada de ontem, na Rodovia Raposo Tavares, próximo a Mairiporã, e descoberto na morte do motoboy José Victor Miranda, de 30 anos, e em ferimentos a outros 17 torcedores, dois dos quais foram baleados e sofreram traumatismo craniano.

A emboscada teria sido motivada por uma retaliação de membros da Mancha Verde a um ataque sofrido em 2022 pela própria torcida, no qual documentos de um dos líderes da organizada palmeirense foram roubados e exibidos nas redes sociais como troféu. O ataque de ontem foi registrado por alguns dos próprios envolvidos, e a Polícia Civil de São Paulo está analisando os vídeos para identificar os responsáveis. Estima-se que cerca de 170 pessoas, entre torcedores das duas organizadas, tenham participado da ocorrência.

A família de José Victor alega que, além das queimaduras que resultaram em sua morte, ele foi golpeado na cabeça com barras de ferro. As informações de sua morte ainda são apuradas pela polícia, que considera tanto a possibilidade de ele ter sido agredido dentro do ônibus quanto a de ter sido retirado do veículo gravemente ferido.

Em decorrência do ocorrido, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) recomendou que a partida entre Cruzeiro e Palmeiras, marcada para 4 de dezembro, seja realizada no Mineirão com torcida única, apenas com a presença de torcedores do time da casa, como forma de evitar novos conflitos. A recomendação é aprovada com as medidas de segurança exigidas nos clássicos mineiros, que ocorreram com torcida única desde 2024.

Dados de um levantamento sobre a violência no futebol indicam que o Brasil já registrou 406 mortes relacionadas a conflitos de torcidas organizadas. Especialistas apontam a falta de ações preventivas e a legislação branda como fatores que são importantes para a escalada da violência.

José Victor Miranda, que deixa um filho de 12 anos, acompanhava o Cruzeiro em jogos país pelo e havia levado o filho recentemente para assistir ao time no Mineirão. A família busca respostas sobre a violência que resultou em sua morte e cobra justiça para os responsáveis.

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