Fazendeiro inventa ‘armadura’ para proteger ovelhas de ataque de lobos

Inventor testou o equipamento em suas ovelhas | Créditos: Arquivo pessoal/Rudolf Schaubach


Um fazendeiro criou uma ‘armadura’ para ser usada por ovelhas. A ideia é proteger os animais do ataque dos lobos em regiões da Áustria e Alemanha. A ‘roupa’ é uma malha feita de plástico e cravejada de pontas afiadas como pregos, mas revestida por tubos de borracha “para que humanos e ovelhas não possam se ferir”. Apesar da boa intenção do inventor, o produto recebeu críticas de pastores, que não acreditam na eficácia da proteção, e de ativistas dos direitos dos animais, que apontam para o risco da vestimenta prejudicar o bem-estar do bicho.

Rudolf Schaubach, de Villach, Áustria, passou três anos desenvolvendo a sua ideia. O inventor acredita que as pontas afiadas podem afastar o predador. Sua expectativa é que o lobo tente morder a presa, sinta a dor provocada pela picada na boca e se afaste. “O lobo é um animal inteligente; não acredito que ele morda uma segunda vez”, afirmou à rede de notícias alemã NDR.

O ex-caçador vive em uma região que tem visto um número crescente de ataques de lobos. Recentemente, um predador matou 70 animais e deixou outros 70 feridos, um massacre que chocou os pastores, além de provocar prejuízos financeiros e materiais consideráveis.

A ‘armadura’ teria a função de evitar tragédias como essa, mas os criadores não estão convencidos de sua eficácia. “As ovelhas certamente terão sua liberdade de movimento restringida. E o lobo ataca primeiro as pernas, para as destruir”, disse Dieter Ruhnke, presidente da Associação Estadual de Bem-Estar Animal da Baixa Saxônia, ao NDR.

Pastores também argumentam que a malha vai ser sobreposta pela lã, que iria crescer em um curto espaço de tempo e, para piorar, poderia se enroscar na vestimenta. Com isso, o lobo deixaria de atacar o corpo para focar nas extremidades, como a cabeça ou as patas.

O custo de vestir um rebanho também é visto como impeditivo. “Quem quer equipar 500 ovelhas com essas redes? Quem pode pagar por isso?”, pergunta Gina Strampe, da Associação Estadual da Baixa Saxônia para a Criação de Animais Selvagens.

Schaubach realizou os primeiros testes de sua invenção no começo do mês, vestindo algumas ovelhas. Uma delas usou a rede por “vários dias” sem problemas, movendo-se e se alimentando normalmente, segundo o inventor. A experiência não foi adiante porque Schaubach ficou com receio de provocar reações negativas dos criadores da região. Agora, ele busca um parceiro de fora da Áustria para testar seu equipamento em condições reais.

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