Estrela verde: astrônomos acham, pela primeira vez, anã branca com cor rara
- porMetrópoles
- 16 de Outubro / 2026
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| Créditos: Reprodução/Universidade de Warwick
Astrônomos identificaram uma estrela de coloração verde-amarelada pela primeira vez. O registro foi feito a partir de uma anã branca que provavelmente adquiriu o tom por ter absorvido detritos de planetas que orbitavam em seu entorno.
A descoberta faz parte de um projeto da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que analisa o tom das estrelas sob a perspectiva dos olhos humanos. O estudo foi publicado na revista RAS Techniques and Instruments em 15 de outubro.
Normalmente, a cor das estrelas é determinada de acordo com a temperatura do astro. Quando mais frias, elas apresentam uma tonalidade alaranjada; estrelas como o Sol são brancas e, as mais quentes, exibem um tom azul-claro.
Porém, para uma anã branca, essa regra é diferente, pois ela tem um núcleo remanescente que gastou seu combustível nuclear e eliminou as camadas externas.
A maioria dessas anãs brancas tem nuances semelhantes às de outras estrelas, mas ao longo do tempo elas sofrem mudanças em sua composição química, o que pode modificar seu aspecto visual e as transformar em raridades.
A anã branca identificada recentemente é chamada de WD J1330+6435 e faz parte da Via Láctea. Ela está localizada a uma distância de cerca de 280 anos-luz da Terra, na constelação de Draco.
O autor principal do estudo, o astrofísico Mark Hollands, destaca que o interesse em estudar o astro surgiu por conta dos fragmentos de material planetário que caíram em sua superfície, o que enriqueceu suas camadas externas com elementos como cálcio, lítio e, em particular, sódio.
Hollands explica que o sódio absorve um grande espectro do comprimento de onda de cor laranja em estrelas normais; nas anãs, no entanto, a densidade é tão alta que os átomos de sódio são frequentemente bombardeados por átomos de hélio ao redor, o que altera os níveis de energia atômica do elemento.
“O resultado final é que os átomos de sódio não absorvem mais um comprimento de onda muito estreito de laranja — eles absorvem os comprimentos de onda amarelos, laranjas e alguns dos vermelhos. E o que resta é uma estrela que possui um belo brilho verde-amarelado, algo que não seria possível para estrelas semelhantes ao Sol”, destaca Hollands.
Além disso, os pesquisadores também identificaram que, das 151 estrelas anãs brancas localizadas a até cerca de 65 anos-luz da Terra, cinco apresentam outras cores incomuns, incluindo tons amarelos e rosas.
O professor Boris Gänsicke, um dos autores, conclui que, no geral, tudo isso é muito semelhante à mistura de tintas em uma paleta de pintor. “Eles começam com algumas cores básicas e, em seguida, as misturam para formar qualquer cor necessária para sua pintura. Retire parte da cor que entra na mistura, e o resultado final mudará”, finaliza.






