Copa do Mundo: família com seis dedos nas mãos e nos pés já é hexa há gerações

Para os Silva, família de Águas Claras (DF), ter seis dedos é motivo de orgulho | Créditos: Reprodução/Arquivo pessoal


Sonhando com o fim do jejum em Copas do Mundo que perdura 24 anos, milhões de brasileiros mal podem esperar para ver a seleção brasileira conquistar o hexacampeonato mundial. Uma família de Águas Claras, no Distrito Federal, porém, já carrega o número seis como marca registrada há gerações. Conhecidos entre amigos e vizinhos como a “família hexa”, 15 pessoas da mesma linhagem nasceram com seis dedos em cada mão e pé.

Apesar da curiosidade que essa característica desperta em quem conhece a família pela primeira vez, a administradora Silvia Santos da Silva afirma que nunca se sentiu diferente por ter seis dedos.

Segundo ela, o acolhimento familiar fez com que a situação fosse encarada naturalmente, como uma tradição curiosa e motivo de orgulho entre os parentes.

“Nunca me senti desconfortável por ter seis dedos. Justamente pelo fato de a nossa família ser muito acolhedora. Para nós, a questão dos dedos foi tratada com naturalidade, e acaba que diferente é quem tem cinco”, descontrai.

Segundo ela, é comum que os familiares torçam para que as crianças da família nasçam com seis dedos — condição conhecida como polidactilia, uma alteração congênita caracterizada pela presença de seis ou mais dedos nas mãos ou nos pés.

Na maioria dos casos, a característica é hereditária, sendo transmitida entre gerações da mesma família.

Em 2016, integrantes da família participaram de uma pesquisa realizada na Alemanha e publicada na revista científica Nature Communications que investigou justamente as particularidades genéticas da condição.

Hexa

Silvia, que tem 64 anos e é neta do primeiro integrante da família a apresentar a condição, leva a brincadeira a sério quando o assunto é futebol. Para ela, quem precisa correr atrás do hexa não são os parentes, mas a seleção brasileira.

“A cobrança é muito grande. A gente cobra bastante, quer que o Brasil siga em frente. Estou achando nosso técnico muito molinho. É preciso um incentivo lá para a seleção correr atrás. Espero que mudem um pouco a tática agora contra a Escócia para ver se melhora”, brinca.

A cobrança não é infundada. O Brasil precisa derrotar os escoceses para garantir o primeiro lugar do grupo e, assim, reduzir as chances de um duelo de gigantes contra a Holanda — que atualmente lidera o Grupo F, de onde deve sair o adversário da seleção na primeira fase eliminatória do Mundial.

Como divide a liderança do Grupo C com Marrocos em número de pontos, a seleção depende de uma vitória simples para avançar em primeiro lugar, precisando apenas manter a vantagem no saldo de gols caso os marroquinos também vençam o Haiti.

Quando questionada sobre uma possível conquista brasileira na Copa do Mundo, Silvia admite que já imaginou uma comemoração especial. “Olha, eu gostaria de comemorar lá nos Estados Unidos junto com o Brasil, mas vamos deixar fluir para ver o que vai acontecer”.

Brasil e Escócia se enfrentam nesta quarta-feira (24). Enquanto a Seleção Brasileira segue em busca do hexacampeonato, os Silva brincam que o tão sonhado hexa já foi alcançado pela família há gerações.

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