Cansou da Terra? Nasa está recrutando voluntários para uma simulação de um ano da Lua e de Marte
- porR7
- 10 de Julho / 2026
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Para quem já se perguntou se conseguiria lidar com a vida em outro planeta, a Nasa (Agência Espacial Americana) está oferecendo a chance de descobrir – bem, mais ou menos isso.
A agência espacial dos EUA está procurando recrutas para quatro vagas de seu MMEA (Análogo de Exploração da Lua e de Marte), um programa de simulação de um ano de duração projetado para replicar a viagem e a vida na Lua e em Marte, informou em um comunicado à imprensa no início deste mês.
Embora possa não ser exatamente a realidade, os voluntários estarão em condições semelhantes às do espaço, vivendo dentro de habitats confinados e realizando tarefas assim como os astronautas fariam, como cultivar plantações, cuidar de sua saúde e replicar caminhadas espaciais.
O programa de 12 meses começa não antes de agosto de 2027 e terá como sede o Johnson Space Center em Houston.
Um porta-voz da Nasa informou à CNN Internacional que o programa de pesquisa ajudaria a reduzir quaisquer riscos que os astronautas possam enfrentar ao voar para o espaço e pousar em Marte.
“Os participantes voluntários da pesquisa contribuem muito para a base de conhecimento, ajudando a Nasa a caracterizar os riscos e testar contramedidas para melhorar o desempenho humano durante missões de exploração espacial de longa duração”, disse o porta-voz.
A Nasa disse que o projeto também estudará como os membros da tripulação se ajustam a viver no tempo de Marte. Um dia marciano, conhecido como sol, é cerca de 40 minutos mais longo do que um dia na Terra, uma diferença que pode impactar o sono e outros problemas de saúde e desempenho.
Os candidatos devem ser cidadãos dos EUA ou portadores de green card e ter entre 30 e 55 anos, embora pessoas fora dessa faixa etária também possam ser consideradas. Eles também não devem ter mais de 1,88 metro de altura e ser fluentes em inglês.
Os potenciais participantes devem estar dispostos a se comprometer com o programa de 14 meses no Johnson Space Center, que inclui 12 meses dentro de dois habitats confinados, além de mais dois meses para treinamento pré e pós-missão.
Eles também devem passar por avaliações físicas e psicológicas, não ter restrições alimentares e não podem ter histórico de sonambulismo ou uso de medicamentos para dormir.
A Nasa disse que os candidatos devem ter “qualificações semelhantes às de astronautas”, como bacharelado em engenharia, ciências biológicas, ciências físicas ou matemática.
Aqueles com diplomas avançados em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) também podem se candidatar, e a experiência militar também será considerada.
Dois habitats
Um porta-voz da Nasa informou à CNN Internacional que o projeto será dividido em três segmentos, envolvendo dois habitats diferentes.
“O primeiro ocorrerá dentro de uma espaçonave simulada de 60 metros quadrados, onde os voluntários viverão como se estivessem viajando da Terra para a Lua ou Marte”, disse a porta-voz Kelsey Spivey à CNN Internacional.
Os quatro membros da tripulação terão, cada um, seus próprios aposentos pequenos, incluindo um espaço para morar, trabalhar e dormir e um banheiro pequeno, embora seja diferente daquele que os astronautas usam.
A segunda etapa muda os voluntários de viajar para viver na superfície de outro planeta.
Os membros da tripulação se mudarão para uma instalação de um andar de 84 m², onde cultivarão suas próprias plantações, cuidarão de sua saúde e bem-estar e praticarão como fazer caminhadas espaciais em uma caixa de areia projetada para imitar superfícies planetárias.
A terceira fase será o retorno à Terra na mesma espaçonave usada na “viagem” de ida, acrescentou Spivey.
Os dois habitats foram usados para missões de pesquisa anteriores e estão sendo reduzidos para simular diferentes condições de missão.
“Em missões anteriores, a intenção (dos habitats) era simular um habitat de superfície maior e bem estabelecido, mas as missões MMEA são projetadas para simular uma fase inicial da infraestrutura da superfície de Marte, o que também é aplicável para ajudar a Nasa a responder a perguntas sobre os objetivos da Base Lunar de curto prazo”, disse Spivey.
Embora a Nasa tenha realizado 28 simulações de trânsito e duas de habitat de superfície, este será o primeiro projeto a incorporar as duas.
As duas simulações de habitat de superfície foram executadas pelo CHAPEA (Análogo de Exploração de Desempenho e Saúde da Tripulação) da Nasa, que se concentrou em explorar a saúde e o desempenho de voluntários que vivem em um espaço confinado enquanto lidam com os desafios previstos da vida em Marte.
‘Uma nova valorização’
Entre essa tripulação estava Nathan Jones, um médico de Illinois, que se deparou com um artigo convocando voluntários enquanto trabalhava em turnos noturnos em 2021.
Dois anos depois, ele se viu atuando como oficial médico da tripulação dentro do Mars Alpha Dune de 158 metros quadrados, o habitat simulado de Marte da Nasa.
Ele disse à CNN Internacional na segunda-feira (6) que a experiência fortaleceu sua ambição de se tornar um astronauta, acrescentando que também estaria interessado em ir ao espaço em um voo comercial um dia.
No entanto, o estudo de um ano trouxe desafios emocionais para Jones, de 43 anos, sendo o principal deles a saudade de sua esposa e filhos.
“Foi difícil perder grandes eventos como aniversários, feriados, formaturas, funerais e casamentos”, disse ele.
Jones disse que desenvolveu uma nova valorização pelas coisas mais simples da vida após a missão.
“A comida da Nasa era boa, mas o cardápio é necessariamente limitado, e nada era fresco além de alguns vegetais que cultivamos”, disse ele. “Na missão não havia sol ou vento. Então, encontrei uma nova valorização por esse tipo de coisa quando a missão foi concluída.”






