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IPTU
CARNAVAL 2021

Milhões para um Carnaval fantasma. E o povo paga.

Via Redação | Publicado por Administrador | às 11:12:23

Os mais jovens não vão lembrar - o que é uma pena - mas nos anos sessenta o cronista carioca Sérgio Porto (1923-1968) escreveu sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta o Febeapá – Festival de Besteira que Assola o País, um compêndio que listava extravagâncias cometidas pelas autoridades que, no início da ditadura, assumiam o país. Dar canetadas absurdas e cometer gafes nunca foi prerrogativa exclusiva de nenhum governo no Brasil. Quando os militares mandavam prender um dramaturgo grego que morreu 400 anos Antes de Cristo pelo teor subsversivo de suas peças, havia uma piada pronta para o deboche, mas que se esvaia no riso e depois, era esquecida.

Quando a blague carrega junto um inexplicável gasto de dinheiro público, a piada perde a graça e vira de mau gosto. Se torna então um escárnio para uma população como a de São Paulo que diariamente tenta sobreviver aos efeitos da pandemia na maltratada economia da cidade.

Enquanto se multiplicam moradores de ruas e cuidados de zeladoria básicos em regiões como o centro de São Paulo se precarizam, a Prefeitura de São Paulo mantém o repasse de R$ 33 milhões para as escolas de samba, blocos e cordões carnavalescos da cidade, mesmo tendo anunciado oficialmente, no dia 12 de fevereiro, que o Carnaval de 2021 estava cancelado em razão da pandemia.

Ou seja, a Prefeitura está destinando R$ 33 milhões para agremiações carnavalescas que vão organizar um Carnaval que não existe. Sérgio Porto e seu mordaz Stanislaw estariam esfregando as mãos de felicidade tamanho repertório para suas crônicas. É impossível que, com comerciantes fechando portas diariamente, insolventes e atolados em divídas e a população se empobrecendo aos olhos vistos, não hajam outras prioridades do que repassar R$ 33 milhões para um evento que não vai acontecer.

Para um prefeito, que como Bruno Covas, que logo após ganhar as eleições aumentou o próprio salário, e ainda não conseguiu inagurar a controversa obra de reforma do Vale do Anhangabaú, que teria consumido, pelo que consta, R$ 100 milhões, dar dinheiro para uma festa fantasma pode ser até engraçado. Quem não vai rir, com certeza, é o contribuinte diante de seus carnês de IPTU que batem a sua porta pontualmente.

(R7)

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